"> Destaques da Semana - (17/Março)

17 de Março de 2019

Destaques da Semana - (17/Março)

Internacional

 

  • Mercados

 

Escrito por: Welker Abner

 

Novo acidente aéreo com um modelo da Boeing afeta ações da empresa

Após um trágico acidente com um avião do modelo 737 MAX 8, da Boeing, durante o domingo passado (10), as ações da empresa sofreram reveses consideráveis pela semana. O acidente, que aconteceu durante um vôo na Etiópia e deixou 157 vítimas fatais, é o segundo em cerca de 5 meses, quando, no fim do ano passado, o vôo da indonésia Lion Air caiu, deixando 189 vítimas fatais. Assim, diversos governos e empresas interromperam a utilização dos aviões, a incluir a brasileira Gol. Como resultado, registrou-se uma forte queda nas ações da empresa durante os primeiros dias pós-acidente, o que, por fim, acumulou perdas semanais de 13,98%, afetando significativamente os índices da Dow Jones durante a semana.

 

Panorama geral

As bolsas, de modo geral, apresentaram uma semana forte, com destaque ao clima mais favorável em relação à expectativa positiva quanto ao acordo sino-estadunidense e a votação pelo adiamento do Brexit. Após certo desaquecimento do dólar frente aos resultados industriais mais fracos e uma postura dovish por parte do Fed, as bolsas voltaram a subir mediante a novas declarações positivas por parte dos governos, tanto dos EUA quanto da China, indicando certo progresso dentro das negociações. Nesse sentido, pôde-se perceber certo destaque às bolsas do setor tecnológico, adquirindo contraste significativo em relação às do próprio setor industrial. Já na Europa, apesar do clima ainda permanecer fortemente indefinido, o adiamento da separação entre o bloco e o RU, que acabaria por ocorrer sem acordo no próximo dia 29, foi fundamental para fornecer um otimismo no mercado. Por outro lado, a UBS, grupo financeiro, apresentou uma queda de 1,3% após o principal banco suíço declarar certa política de endurecimento como resultado de uma multa decretada pelo tribunal francês durante janeiro em decorrência de uma suposta lavagem de dinheiro. Já na Ásia, boa parte das bolsas seguiram em clima otimista, resultado das possíveis melhoras comerciais com o ocidente, contudo a China apresentou leve queda, fruto de seu desempenho industrial declinante.

 

 

Fechamento Semanal:

 

Nasdaq: 1,99% aos 7,306.99 pontos

Dow Jones: 0,77% aos 25.848,87 pontos

S&P 500: 1,00% aos 2.811,89 pontos

Shanghai Composite (índice chinês): -0,17% aos 3.021,75 pontos

Kospi (índice sul coreano):  1,77% aos 2.152,96 pontos

Nikkei 225 (índice japonês):  1,54%  aos 21.025,56 pontos

DAX (Alemanha): 1,23% aos 11.685,69 pontos

CAC 40 (França): 2,64% aos 5.405,88 pontos

FTSE 100 (Londres): 1,36% aos 7.185.43  pontos

Euro Stoxx 50 (Zona do Euro): 2,47% aos 3.345,06 pontos

IBEX 35 (Espanha): 1,85% aos 9.229,50 pontos



 

  • Política Econômica e Indicadores

 

Escrito por: Welker Abner

 

Acordo do Brexit é rejeitado e May faz suas últimas apostas

Após passar por mais algumas semanas de renegociações, depois de sofrer uma derrota histórica de 432 votos contra e 202 votos a favor de seu plano original, May, que conseguiu algumas outras concessões de ambos os lados, voltou a apresentar um acordo no Parlamento Britânico durante a quarta-feira (13), contudo as votações terminaram com um resultado semelhante, o parlamento inglês manteve-se irresoluto. Entre as alegações gerais, o caso de maior polêmica foi a fronteira irlandesa, isto é, tentando contornar o impasse entre as Irlandas, May, em uma decisão, aparentemente, conjunta à UE, propôs ao Parlamento um acordo que permitisse que o Reino Unido (RU) abrisse uma disputa formal com o bloco para que a qualquer momento a questão pudesse ser resolvida, ao passo que a União, por sua vez, estaria se comprometendo a buscar alternativas para a resolução do dilema até o ano de 2020, isto é, o acordo, apesar de tudo, não estabeleceu medidas exatas ou ao menos uma resposta quanto a um limite de tempo mais restrito no qual o RU ficaria preso a um acordo com o bloco, mais uma vez desagradando os parlamentares. Vale, contudo, notar que, apesar da óbvia importância do acordo fronteiriço, não se pode implicar que os resultados da nova votação, de 391 contras e 242 a favor, sejam resultados unicamente devidos ao impasse com o backstop. May permanece sem apoio total de seu próprio partido, o que traz um hard-brexit em seu momento mais iminente a pouco mais de duas semanas do prazo final do acordo.

O Parlamento, por outro lado, havia garantido ainda que caso as votações do dia não resultassem em um êxito do acordo, uma nova rodada deveria se iniciar no dia seguinte, assim, entre outras coisas, durante a quinta-feira (14) foi-se decidido acerca do adiamento do prazo final de negociações (a princípio ao mês de junho, contudo ainda não há grandes certezas quanto a data), ilegitimidade do processo de hard-brexit e contra um novo plebiscito.  Com 412 votos a favor e 202 contras, o adiamento do Brexit, apesar de insatisfatório, deu a May espaço para aplicar pressões finais, isto é, a premiê anunciaria novas votações, com o mesmo acordo, ao dia 20 de março, o que vem como uma manobra que visa a cúpula europeia que se iniciará no dia 21, ou seja, May argumenta que, caso o acordo seja aceito na próxima votação, poderá negociar à cúpula de modo que o prazo final para a formalização da saída seja no próximo dia 30 de junho. Por outro lado, caso o acordo não seja aceito dentro do Parlamento britânico, as negociações, na melhor das hipóteses, seriam  arrastadas por um período ainda não estipulado, podendo chegar a mais dois anos de indefinição política. Theresa May, extremamente pressionada, mantém um tom mais duro e sombrio ao Parlamento: “Deixe-me ser clara, votar contra uma saída sem acordo e a favor do adiamento não resolve os problemas que enfrentamos". Vale notar, qualquer adiamento só poderá ocorrer caso todos os demais 27 Estados dentro da União estejam de acordo, um único veto, não importando de qual país seja, traz ao Reino Unido o prazo original, isto é, o leva inevitavelmente ao hard-brexit.

 

Produção industrial estadunidense recua durante fevereiro e reforça política do Fed

Segundo divulgado pelo Federal Reserve nesta sexta-feira (15), a produção industrial industrial, durante o mês passado, caiu 0,4%, ante uma previsão de ganho de 0,3%, resultado do recuo dos veículos motorizados, maquinário e móveis. Os resultados dão indícios preocupantes de uma desaceleração dentro da economia estadunidense, o que se apresenta em estado consonante à fraca alta inflacionária apresentada durante o mês. Assim, quanto à comparação anual, registrou-se um aumento de 1,5% em relação ao índice de preços ao consumidor, ao passo que o núcleo da inflação, que exclui custos voláteis de alimento e energia, aumentou 2,1%, já na comparação mensal o índice apresentou aumento de 0,1%. Os resultados, somados com o baixo desempenho da taxa de empregos do mês passado, reforça as expectativas do mercado quanto à política do Fed de que não haverão aumentos na taxa de juros durante o ano,  o que é endossado pelos tons de discurso de Jerome Powell, presidente do órgão, que mantêm-se sob uma perspectiva mais paciente.

 

Produção industrial da Zona do Euro surpreende positivamente durante janeiro

Segundo divulgado pela agência de Estatísticas da União Europeia, Eurostat, nesta quarta-feira (13), a produção industrial dos 19 países que compõem a Zona do Euro subiu 1,4% durante janeiro, resultado que, embora represente um recuo de 1,1% na base anual vem um pouco acima das expectativas do mercado, que apontavam ao crescimento mensal de 1,0% e recuo anual de 2,1%. Sendo puxado, sobretudo, pelo salta de 2,4% na produção de energia, o índice pode compensar seu baixo desempenho quanto a produção de bens intermediários e de capital. Vale destacar aqui as dificuldades enfrentadas pela indústria alemã, maior economia do bloco, que registrou uma queda na produção industrial em 0,9% durante o mês.

Ainda nesse sentido, a inflação durante o mês seguinte, em fevereiro, apresentou certa aceleração, conforme o esperado. Assim, a Zona do Euro teria um crescimento de 0,3% na comparação mensal, chegando em 1,5% na anual, o que também veio como resultado de uma forte produção de energia, além da contribuição de ítens de consumo rápido, isto é, alimentos, álcool e tabaco.

 

Produção industrial chinesa apresenta pior resultado dos últimos 17 anos

Segundo dados oficiais divulgados nesta quinta-feira (14), a produção industrial chinesa, durante o primeiro bimestre, desacelerou ao seu menor nível dos últimos 17 anos, chegando ao patamar de crescimento de 5,3%, ante as expectativas de 5,6%, resultado que veio em contraste com as altas nas vendas de varejo, que subiram 8,2%. Em um anúncio na última semana, o premiê Li Keqiang apresentou um corte tarifários em bilhões de dólares, falando ainda de uma série de investimentos, além de ressaltar a questão do ano-novo lunar, que se materializa em resultados econômicos mais fracos ao país como característica sazonal do próprio calendário chinês.  Por outro lado, os constantes resultados negativos à produção e consumo do país, tal como o próprio movimento de seu banco central deixam o mercado em estado de alerta, o confronto tarifário com o rival estadunidense parece agora apresentar seus efeitos de forma mais clara.

A situação parece ficar um pouco mais grave do lado chinês ao passo que a UE, aparentemente se aproveitando do clima de negociações entre as duas potências globais, tem também apresentado um endurecimento quanto às relações com o gigante asiático. Nesse sentido, o bloco europeu, que da mesma forma que os EUA apresenta uma relação comercial deficitária com a China, desenvolveu um plano de dez pontos para equilibrar suas relações comerciais com o parceiro asiático, envolvendo, assim como no caso dos EUA, questões de capacidade produtiva e transferência tecnológica, a incluir questões de segurança virtual. Tal plano de ação deverá ser discutido ainda na cúpula entre os líderes da União que acontecerá no dia 21 e 22 de março, para então se apresentar em novas discussões na cúpula UE-China, em 9 de abril.

 

Nacional

 

  • Mercado de Capitais e Câmbio

 

Escrito por: Matheus Bulascoschi

Panorama Geral

A semana foi, de maneira geral, bem positiva para os negócios domésticos, apesar da tensão gerada pelos três fatores que dominaram a agenda: A Guerra Comercial, o Brexit, e a Reforma da Previdência.

Quanto à reforma, o governo vem tentando se desdobrar para conseguir colocar o projeto em votação o quanto antes, mas, mesmo com o Planalto liberando R$ 1 bilhão em emendas parlamentares, os deputados continuam a “jogar duro” e aguardam a divulgação da reforma referente à ala militar para dar início aos trabalhos envolvendo a previdência civil. Paulo Guedes, por outro lado, já confirmou que, por suas contas, já foram batidos os votos necessário para a aprovação do texto na Câmara, apesar da cautela adotada pelos parlamentares. O ministro também já trabalha com um plano B para controlar o rombo nas contas públicas, considerando a revisão do pacto federativo, o que daria à Brasília o controle sobre orçamentos de estados e municípios.  

Já o cenário internacional se mantém um pouco pesado e avesso ao risco, com as dificuldades acerca do Brexit, principalmente. Theresa May continua com dificuldades para aprovar um acordo, enquanto o parlamento britânico segue insistindo na rejeição às propostas da primeira-ministra. O Hard-Brexit vem se aproximando cada vez mais e, com ele, impactos econômicos não inteiramente mensurados deverão atingir a União Europeia, que já vive uma fase de estagnação econômica. Com os índices de atividade em queda, um alto nível de desemprego e uma inflação baixa, a UE talvez necessite de uma nova rodada de estímulos monetários do Banco Central Europeu (BCE) para retornar a uma rota de expansão econômica. A autoridade monetária encerrou o seu programa de estímulos no ano passado, mas, assim como ocorreu com os Estados Unidos há alguns anos, a tentativa de deixar o quantitative easing vem expondo muita fragilidade econômica, forçando o BCE a voltar à sua estratégia anterior.

No Brasil, o Índice Bovespa encerrou a semana beirando o tão antecipado rompimento da marca de 100 mil pontos, a 99.136,74 pontos. No acumulado da semana o índice saltou 3,95%. Já o dólar comercial caiu 1,28% e encerrou a semana cotado a R$ 3,8173

 

Azul (AZUL4)

Na segunda-feira (11) a Azul assinou um acordo com a Avianca Brasil para adquirir uma parte significativa da empresa, que está em recuperação judicial há meses.

 

O acordo determina a venda de 30 aeronaves, 70 slots e o certificado de operador aéreo por R$ 406 milhões. Os ativos envolvidos na negociação ficarão sob uma estrutura de UPI (Unidade Produtiva Isolada), assim a dívida não será assumida pela Azul. A transação começará com um investimento prévio, para permitir que a Avianca continue a operar até que a UPI seja vendida de fato. Enquanto isso, o recurso poderá ser usado para que a empresa continue a pagar por sua operação (combustível, salários e arrendamentos de aviões).

 

Segundo a Azul, o processo pode durar três meses. “O acordo não é vinculante, e o processo de aquisição da UPI está sujeito a condições como um processo de diligência e aprovação de órgãos reguladores e credores, assim como a conclusão do processo de recuperação judicial”, afirmou a empresa. Os executivos tratam a compra dos slots nos aeroportos de Congonhas e Guarulhos como a chave para o negócio, afinal trata-se de uma evolução que coloca a Azul em posição de competir diretamente com a Gol e Latam, líderes disparadas no mercado de aviação civil do Brasil. Somadas, Azul e Avianca têm uma participação de um pouco mais de 30% do mercado doméstico, porém ainda têm somente 13% dos slots diários de Congonhas.

 

As ações da Azul dispararam 11,98% no acumulado semanal e atingiram a marca de R$ 41,50, máxima histórica da ação. A Avianca não possui ativos negociados na bolsa brasileira.

 

 

 

  • Política Econômica e Indicadores

 

Escrito por: Matheus Bulascoschi

 

IPCA

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice oficial de inflação do Brasil, fechou o mês de fevereiro mostrando uma alta de 0,43% nos preços da economia brasileira. O número veio bem acima das expectativas de mercado, que apontavam para uma alta de 0,2% no período, e marcou a maior alta do IPCA desde outubro, quando o índice subiu 0,45%. Ainda assim o indicador acumula uma alta de 3,89% nos últimos 12 meses, ligeiramente abaixo do centro da meta de inflação do Banco Central, de 4,25%. No acumulado de 2019 a alta já é de 0,75%.

 

A alta na inflação foi puxada, principalmente, pelos segmentos de educação, que saltou 3,53% no mês e marcou um impacto de 0,17 ponto percentual no índice final, e alimentos, que subiu 0,78% mas, devido ao maior peso na composição, foi responsável por 0,19 ponto percentual do índice final. Com isso, só esses dois segmentos foram responsáveis por 0,36 pontos percentuais dos 0,45 pontos que o índice acumulou no mês, ou seja, os dois segmentos foram responsáveis por 80% da inflação do mês.

 

Os preços da educação registraram tal alta devido aos reajustes praticados devido ao início de um novo ano letivo mas, devido à situação econômica do país e ao fator demanda, as instituições foram um tanto conservadoras no reajuste e essa foi a menor alta do segmento para o mês de fevereiro desde 2008 (3,47%). Já no grupo de alimentos, as maiores alta ficaram com o feijão carioca (+51,58%), a batata inglesa (+25,21%) e as hortaliças (+12,13%).

 

Confira os resultados para todos os grupos que compõem o índice:

 

Alimentação e Bebidas: 0,78%

Habitação: 0,38%

Artigos de Residência: 0,2%

Vestuário: -0,33%

Transportes: -0,34%

Saúde e Cuidados Pessoais: 0,49%

Despesas Pessoais: 0,18%

Educação: 3,53%

Comunicação: 0%

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