"> Renda Variável – Como Investir?

11 de Janeiro de 2017

Renda Variável – Como Investir?

Escrito por: Leonardo Bacchin

Dando sequência aos textos da edição sobre Renda Variável da Finance News, trazemos a vocês "Como Investir". Um guia  detalhado de como dar os primeiros passos no caminho das aplicações em renda variável no Brasil.

O primeiro passo antes de começar a mexer com valores é ter em mente que o mercado de renda variável trabalha com riscos, sendo assim, é necessário ter-se consciência da finalidade de seu investimento, o quanto de sua renda pode ser utilizada sem comprometer o pagamento de suas obrigações e entender que, muitas vezes, o investimento em renda variável pode apresentar um retorno mais satisfatório no longo prazo, sendo assim, é aconselhável investir sua renda extra, para não comprometer sua saúde financeira no caso de imprevistos.

Traçados e definidos os objetivos e prováveis valores que serão investidos temos nosso segundo passo: a escolha de uma corretora. Pela lei nº 6.385/76, que regularizou a CVM e nosso mercado de valores mobiliários, é obrigatório o intermédio de uma corretora para se contatar a BM&F Bovespa e adentrar o mercado de renda fixa ou variável. Cada corretora apresenta suas obrigações: em dar suporte total para o cliente, inclusive alertá-lo sobre riscos e perdas, ajudar a traçar seu perfil de investimento, ajudar na escolha dos investimentos mais adequados, realizar as ordens de compras e vendas escolhidas e, com o desenvolvimento atual do mercado de capitais e da segurança da criptografia, a disponibilidade de um home broker (plataforma online, integrada com a BM&F Bovespa, que permite compra e venda de ações quase instantâneamente sem necessidade de um contato com a mesa de operações, em algumas corretoras pode ser chamada de “pit de negociações” ou “plataforma de negociação”). A escolha da corretora é feita unicamente pelo cliente, sendo que este deve optar pela que apresentar os benefícios e taxas que mais lhe agradam.

A primeira taxa em análise deve ser a de corretagem. Esta é cobrada pelas corretoras pelo acesso ao mercado, de valor ajustável ao transacionado ou equivalente a uma alíquota fixa, a esta taxa também é acrescido o valor do ISS do município onde se situa a corretora, sendo esta de no máximo 5%. Atualmente a taxa média de corretagem é de R$ 12,00 e é cobrada tanto em operações de compra quanto de venda. A segunda taxa é a de custódia, cobrada pelo serviço de zelo da ação na Bolsa e pelos serviços prestados pela corretora. É muito comum esta taxa ter um valor fixo e em alguns casos ser até nula. Atualmente tem R$ 13,50 como taxa média entre as corretoras. Outra taxa que deve ser considerada, porém esta não varia entre as corretoras, são os emolumentos. Esta é uma taxa cobrada pela bolsa de valores e refere-se ao serviço de negociação e registro das ordens,  está definida, pela Bovespa, em 0,0325% do valor da operação, e é cobrada tanto nas operações de compra quanto nas de venda.

Antes de prosseguirmos, cabe ressaltar também a incidência de impostos sobre os ganhos no mercado financeiro. Por mais que as transações com renda variável sejam isentas de IOF, temos o Imposto de Renda. Este é cobrado de uma mesma forma para os mercados à vista, a termo, de opções e de futuro, sendo esta cobrança de 15% do valor do lucro líquido auferido nas vendas somado a 0,005% retido na fonte e que depois é deduzido do IR. Porém é cobrado de outra forma para as operações day-trade, sendo aqui equivalente a 20% do lucro líquido. Para novos investidores é importante destacar que existe isenção de IR para operações no mercado à vista de ações caso os ganhos líquidos mensais tenham sido menores que R$ 20.000,00.

Após as análises das taxas, benefícios e serviços, é realizada a criação da conta na corretora escolhida. Os requisitos essenciais para qualquer corretora são: CPF, RG, comprovante de residência e ser titular de uma conta corrente em alguma instituição financeira. Além disso, vários dados, como renda, estado civil, idade, entre outros, ainda terão de ser preenchidos durante o cadastramento, isto ocorre por obrigação imposta na instrução 301/99 da CVM para a integridade da corretora perante as leis, e também já contribuem para o tracejo do perfil do investidor e para ajudar a corretora a oferecer um suporte melhor no futuro. Para a conclusão da criação da conta, os dados e documentos são enviados para a corretora e esta realiza sua análise e declara a abertura ou não da conta.

Para se ter uma visão melhor de quanto seus investimentos poderão ter de rendimento, depois de decrescidas as taxas e os impostos citados anteriormente, mostramos a seguir um gráfico que exibe o lucro líquido de um investimento com rentabilidade de 9,73%, sendo esta  a rentabilidade mensal do Índice Bovespa (IBOV) atualmente. Cabe lembrar que a Bovespa passou por uma semana de altas e isso gerou uma boa rentabilidade.  

 

O próximo passo, comumente indicado pela corretora via email ou ligação, é o depósito na conta corrente da corretora, cabe destacar que, por determinação da CVM, caso haja a necessidade de se fazer uma transferência (TED ou DOC), esta deve ser feita pela conta corrente informada na hora do cadastramento, este é o último passo para assim poder começar a aplicar.

Conta criada, dinheiro depositado ou transferido para sua conta na corretora e acesso às ferramentas disponibilizadas pela mesma, agora entramos na parte decisiva do processo, a escolha do investimento. Cientes das opções e oportunidades de investir em renda variável e seus devidos riscos, sendo assim é sempre bom ressaltar o cuidado na hora de investir, para isso sua corretora traça o seu perfil e usualmente dá dicas de quantidades e estilos de investimentos que mais se encaixam com a sua renda e seus objetivos.

Para a prática de investir por conta própria, o mais comum atualmente é o uso do home broker oferecido por sua corretora. Pelo uso deste instrumento as operações são realizadas com maior velocidade e o cliente tem um controle maior de seus investimentos. Por ele podem ser realizadas: compra e venda de ações, montagem de estratégias para opções (muitos home brokers disponibilizam um bom sistema de controle com stop, buy, travas de alta e de baixa, entre outras estratégias), negociações no mercado a termo, swing trade e day trade, além dos investimentos em renda fixa.

Os investimentos em renda variável têm o risco como fator preponderante, sendo assim, quanto mais arriscado seu investimento, maior será sua possibilidade de retorno, por este motivo é bom ser preciso e preferencialmente já ter realizado uma análise rentábil do investimento que será feito. É crucial se ter conhecimento do mercado em que se está investindo e saber das possibilidades de perda, para não ser surpreendido.

 

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