"> Editorial - SETEMBRO/2021

28 de Outubro de 2021

Editorial - SETEMBRO/2021

1.Brasil

 

1.1 Resumo 

 

O país avança com a vacinação e registra mais de 40% da população totalmente vacinada, aliviando o sistema de saúde em relação às internações e reduzindo, significativamente, a média móvel de mortes por Covid-19 no Brasil. 

 

O Brasil registra queda no comércio após afrouxamento das medidas de restrição e, além disso, o IGP-M surpreende o país com a deflação obtida no período. 

 

O país ainda passa por grandes instabilidades políticas e teve como principal foco o ato do dia 07 de setembro, no qual houve invasão, por parte dos manifestantes apoiadores do governo, no STF e no Congresso. Esse acontecimento foi influenciado pelo discurso do presidente Jair Bolsonaro e teve consequências tanto políticas como econômicas. 

 

1.2 Cenário base 

 

O Brasil registra mais de 40% da população totalmente vacinada e apresenta redução significativa na média móvel de mortes por Covid-19, estabilizando-se em 500 mortes diárias no final de Setembro. Com o avanço da vacinação, a queda no número de mortes e o afrouxamento das medidas restritivas, o comércio retorna às atividades normalmente, porém o ritmo econômico aparenta não acompanhar o comércio, limitando o avanço do setor. A principal variável que limita o crescimento do setor do comércio é a inflação, de acordo com a Conferência Nacional de Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o setor obteve uma queda de 3,1% em agosto, segundo o IBGE. 

 

Conforme isso, o Índice Nacional do Consumidor Amplo (IPCA), o qual representa o índice oficial de inflação do país, registrou um aumento de 1,16% no mês de setembro. A expectativa era de 1,21%, decorrente do IPCA-15 (índice que representa a prévia do IPCA), sendo assim foi abaixo do esperado. Esse resultado foi, principalmente, puxado pela alta de preços nos combustíveis e na energia elétrica. É importante ressaltar que foi implementada, neste mês, a bandeira tarifária de Escassez Hídrica, decorrente da crise hídrica no Brasil, que aumentará o preço da fatura para o consumidor final. O Banco Central utiliza como política monetária a alteração da taxa básica de juros (Taxa Selic) para controlar a inflação e mantê-la dentro da meta estabelecida pelo governo no início do ano. Com o aumento contínuo da inflação, a entidade monetária estabeleceu o aumento da taxa em 1%, de 5,25% para 6,25%. O aumento impacta nas operações de crédito, encarecendo empréstimos e financiamentos. 

 

Ainda tratando de índices inflacionários, o IGP-M apresentou um resultado surpreendente, tendo uma deflação no período de 0,64%. O índice, calculado pela FGV, foi extremamente impactado pelo recuo no preço do minério de ferro. Os motivos para essa queda brusca, foi que houve uma maior oferta do que demanda no período e, além disso, a desaceleração do setor imobiliário com o caso da empresa Evergrande impactou bastante no minério.

Ademais, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil do segundo trimestre de 2021 teve um recuo de 0,1% em comparação ao primeiro trimestre. O resultado é reflexo da quebra de safras na agricultura, esgotamento de recursos nas indústrias e a retomada incompleta do setor de serviços. Além desses fatores, a instabilidade política contribui para o desalento em relação à economia, freando o desempenho econômico do país. 

 

Porém, em contrapartida, a taxa de desocupados no Brasil revelou queda de 1 ponto percentual, resultando na taxa de 13,7% da população (14,1 milhões de pessoas), segundo o IBGE. Esse aumento na taxa de ocupados é justificado pelo novo modelo de cálculo que adiciona os trabalhadores temporários e o retorno do comércio, sendo o principal setor que abrigou os trabalhadores, decorrente do afrouxamento das medidas de isolamento social. Outros setores também apresentaram crescimento, segundo o IBGE, mas não tão significativo quanto o comércio. Outro fator é que, ocasionalmente, com a chegada do fim do ano, o comércio dispara no número de contratações.

 

1.3 Eventos Políticos 

 

A tensão política se mantém relevante no Brasil, nos meses de agosto e setembro, conturbações políticas impactam tanto a retomada da economia atual quanto a expectativa de recuperação no ano de 2022. 

 

O Presidente Jair Bolsonaro continuou defendendo que houve fraude no processo eleitoral, apontando que havia provas concretas sobre suas acusações. Após muito ruído sobre o assunto, as provas não foram apresentadas formalmente e o caso foi abafado. Porém, essa ocasião causa muitos ruídos e causam muita estabilidade no sistema eleitoral. Porém, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) rebateu as críticas do presidente, reforçando que a urna eletrônica tem um sistema de segurança avançado e nunca falhou desde a redemocratização. Esse discurso do presidente, descredibiliza as instituições e infla a base de apoiadores do governo. 

 

Reflexo desse discurso, foi a manifestação do dia 07 de setembro, na qual apoiadores do governo, se reuniram em diversas capitais e cidades do país. A manifestação teve apoio significativo dos empresários do agronegócio, caminhoneiros e pequenos e médios empresários. A pauta do ato foi em prol do voto impresso para as próximas eleições, a queda dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e o fechamento do Congresso Nacional. Demonstrado, claramente, por alguns dos manifestantes que ultrapassaram a barricada do Congresso e do STF. Em alguns vídeos gravados pelos apoiadores, ficou explícito que os mesmos queriam deixar o país em estado de sítio. Além desse ocorrido, no decorrer da manifestação, o Presidente Jair Bolsonaro discursou para os manifestantes, dizendo que não cumpriria mais ordens vindas do STF. 

 

Essa declaração do Presidente inflou, ainda mais, os manifestantes e resultou, além da invasão do Congresso e do STF, em um enorme ruído político. Porém, os atos e o discurso foram em vão, no dia seguinte, uma carta oficial divulgada pelo governo federal em nome do Presidente Jair Bolsonaro e redigida pelo ex-presidente Michel Temer, apaziguou os ânimos. A carta era uma retração referente ao dia anterior, na qual o presidente escreveu que se excedeu e que respeita as instituições do país.

 

De acordo com esse posicionamento defensivo do presidente, diversos apoiadores se sentiram traídos. Houve, por parte dos caminhoneiros, uma paralisação temporária das atividades para que o presidente tomasse uma atitude. Nesse mesmo dia, o Ibovespa registrou uma queda brusca, revelando uma preocupação econômica, principalmente com a inflação, a qual seria a mais afetada com esse ato. Tendo em vista esse acontecimento, a insegurança, em relação à democracia brasileira, aumenta e a expectativa de eleições pacíficas em 2022 é questionável. 

 

Tratando das próximas eleições, a XP Ipespe divulgou em Setembro a pesquisa eleitoral realizada com mil entrevistados em Julho de 2021. A pesquisa revelou que a avaliação negativa em relação à gestão do presidente está em alta, com 52% dos entrevistados apontando como ruim ou péssima. Frente a isso, o ex-presidente Lula atingiu 38% das intenções de voto, enquanto o atual presidente recebeu 26% das intenções dos entrevistados. 

 

Ademais, a CPI da Covid-19 ainda está em andamento e segue recolhendo depoimentos dos mais diversos membros da sociedade. Nos meses de Agosto e Setembro, a Comissão Parlamentar de Inquérito seguiu com as investigações em relação à suspeita de compra de vacinas superfaturadas. Além disso, surgem denúncias contra a empresa Prevent Senior, a denúncia é ilustrada em um dossiê escrito por ex-médicos da companhia e expõe o tratamento precoce, utilizada pela empresa, com os remédios do “kit covid” e a omissão de dados sobre a morte de pacientes no hospital por Covid-19, caso que será investigado pela CPI. 

 

Outro destaque relevante é a declaração, na Câmara do Senado, do ministro da economia Paulo Guedes que defende manter a proposta inicial da reforma tributária. Segundo o ministro, a reforma será votada em duas partes e, além do mais, continua defendendo a tributação da distribuição de lucros e dividendos das empresas para as pessoas físicas. O texto base já foi enviado para aprovação na Câmara do Senado e dos Deputados. 

 

Ademais, no final de setembro, o presidente Jair Bolsonaro foi convidado para discursar na 76 abertura da Assembleia Geral da ONU. A assembleia reuniu os principais representantes das maiores potências mundiais, o alcance da transmissão é global e determinante para moldar a imagem do país frente ao mundo. No discurso de abertura, o presidente defendeu a utilização do tratamento precoce para os casos de Covid-19 e disse, também, que o Brasil melhorou muito desde que assumiu o cargo de presidente, além disso, citou que o país estava à beira do comunismo e que o país não registra casos concretos de corrupção desde 2019. Essa declaração na ONU, foi, basicamente, para agradar a sua base de apoiadores e em relação ao mundo o Brasil é descredibilizado com tais argumentos e atitudes, como por exemplo, o presidente é o único representante que não tomou as doses da vacina, enquanto o primeiro ministro da Inglaterra Boris Johnson exibe e faz propaganda da vacina desenvolvida no país, a AstraZeneca. 

 

1.4 Destaques 

 

Especialistas apontam que o Brasil passa por um momento de inflação persistente, o qual o índice cresce em vários períodos consecutivos, sem representar nenhuma retração.


 

2. Estados Unidos da América 

 

2.1 Resumo 

 

O último mês foi marcado pela nova onda provocada pela variante delta do Covid-19, impactando em certo modo a recuperação gradual da economia americana, com intenção do Fed (Federal Reserve) em iniciar o processo de tapering (redução gradual da compra de ativos). Os indicadores PIB, Taxa de Desemprego e PMI apresentam resultados brevemente positivos, enquanto no cenário político Joe Biden enfrenta dificuldades nas relações diplomáticas com a França e China e ampla resistência republicana. 

 

2.2 Cenário base 

 

De acordo com o escritório de estatísticas do BEA (Bureau of Economic Analysis) do Departamento de Comércio do Estados Unidos, no segundo trimestre de 2021 o PIB do país cresceu 6,7% (dados anualizados) em relação ao primeiro trimestre de 2021. O resultado superou as projeções de julho (6,5%) e de agosto (6,6%). 

 

Já o último Relatório de Emprego (payroll) refletiu o impacto da variante Delta da Covid-19 no mercado de trabalho, reportando a criação de 194 mil empregos no mês de setembro. Esse indicador foi abaixo do esperado pelos economistas, que projetavam a criação de 500 mil postos de trabalho. A taxa de desemprego, por sua vez, caiu de 5,2% para 4,8%. Aqui é importante ressaltar que esses dados servirão como insumos para a decisão do Fed (Federal Reserve) acerca da retirada de estímulos e elevação de juros. 

 

Por outro lado, o PMI (Purchasing Manager’s Index - indicador de atividade: quando maior que 50 indica expansão do setor, quando menor que 50 indica retração) indica recuperação econômica para o país, surpreendendo as expectativas. Em relação a agosto, o PMI de serviços avançou de 61,7 para 61,9 (previsão 60) enquanto o PMI industrial foi de 59,9 para 61,1 (previsão 59,6). 

 

Por fim, através do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), o Fed (Federal Reserve) manteve a taxa básica de juros dos Estados Unidos próxima de zero (entre 0% e 0,25%). Contudo, a autoridade monetária reduziu as perspectivas econômicas para o ano indicando que aumento das taxas podem ocorrer, além de sinalizar perspectivas de redução do programa de compra de ativos (estímulo durante a pandemia do Covid-19). 

 

2.3 Eventos Políticos 

 

Considerando a relação bilateral com a China, os países vêm enfrentando dificuldades. Segundo Katherine Kai (representante comercial dos Estados Unidos) a relação é “competitiva e complexa”, enquanto Xi Jinping (presidente da China) expressou que a política americana provocou “graves dificuldades nas relações bilaterais”. Uma discussão estratégica entre os presidentes dos países foi realizada pela primeira vez após janeiro deste ano. 

 

Já em relação aos países europeus, o país enfrenta forte crise diplomática com a França. Esse cenário é justificado por um acordo trilateral do país juntamente com a Grã-Bretanha para fornecimento à Austrália de submarinos nucleares. O acordo substitui o contrato de 40 bilhões de dólares de fornecimento por parte da França, sendo avaliado negativamente pelo governo francês. O movimento dos Estados Unidos é contraditório às propostas de multilateralismo e cooperação com parceiros e aliados propostos pelo governo de Joe Biden. 

 

2.4 Destaques 

 

Durante o mês de setembro, pode-se nomear 2 destaques importantes para o país: o primeiro foi a proposta de suspensão do teto da dívida do país, evitando o shutdown. O shutdown ocorre em casos de não aprovação do orçamento do atual ano fiscal, limitando recursos e consequentemente levando ao congelamento de serviços e atividades governamentais. A proposta enfrentou forte oposição republicana, enquanto Joe Biden cobra responsabilidade bipartidária. A medida foi aprovada pelo Senado e segue para a Câmara e precisa ser assinada por Joe Biden. 

 

Já o segundo destaque está relacionado aos projetos sociais e de infraestrutura do atual presidente. Além da oposição republicana, o núcleo democrata está dividido em alas moderadas e progressistas que dividem posicionamento em relação às escalas de gastos. A votação foi adiada, o que dá tempo para reunião de votos por Biden para cumprir uma de suas agendas mais importantes. 

 

3. Europa 

 

3.1 Resumo 

 

Devido aos ótimos índices de vacinação, os membros da UE e o Reino Unido têm demonstrado uma boa recuperação econômica, impulsionados pelas flexibilizações de restrições e o retorno nos níveis de consumo das famílias. Ademais, diversos acontecimentos marcaram o velho continente no último mês, desde atritos nas relações internacionais à eleições decisivas em alguns países. 

 

3.2 Cenário base 

 

A União Europeia fechou o PIB do segundo quadrimestre em agosto com um crescimento de 2,2%, uma significativa melhora frente à recessão de - 0,3% no início do ano. A inflação na zona do euro sofreu um leve aumento, chegando a 3,4% em setembro. Além disso, as taxas de juros permanecem estagnadas em 0% e a moeda comum enfrentou queda de - 2,36% no último mês. O índice de desemprego é outro que permanece constante a taxa média de 7,5%. Por outro lado, tanto o PMI industrial como o de serviços apresentaram expansão, com índices de respectivamente 58,6 e 56,3. Esses sinais de crescimento se devem principalmente aos avanços na vacinação - todas as maiores economias da UE estão com mais de 60% da população completamente vacinada. 

 

O Reino Unido por sua vez teve um crescimento melhor no último quadrimestre: 5,5% frente ao retrocesso de - 1,4% do quadrimestre anterior. Por outro lado, a inflação apresentou aumento significativo saindo de 2% para 3,2% em um mês, muito por conta da crise de desabastecimento que o país enfrenta. Os dados a respeito da libra esterlina se assemelham ao euro: desvalorização de - 2,1% em setembro e juros estagnados em 0,1%. O desemprego, porém, está bem abaixo da média europeia em níveis de 4,6%. Com mais de 65% da população totalmente vacinada, o Reino da Grã-Bretanha apresentou crescimento nos setores industrial e de serviços, com PMI de respectivamente 57,1 e 54,6. 

 

3.3 Destaques 

 

No âmbito diplomático, a França sofreu um revés em suas negociações neste mês de setembro, a AUKUS - aliança militar firmada entre Estados Unidos, Reino Unido e Austrália - atravessou um acordo de desenvolvimento de tecnologia bélica, mais precisamente 12 submarinos nucleares, que já havia entre franceses e australianos. O governo norte-americano contou com o apoio e a influência que seus aliados britânicos têm junto à Austrália, membro da Commonwealth, para fechar esse acordo. Mais do que a quebra de um contrato bilionário, o que mais incomoda o governo de Emmanuel Macron é que a posição geopolítica da nação francesa foi afetada por essa quebra de contrato. Além disso, a União Europeia não se manifestou em relação ao acontecimento, decepcionando os franceses. Uma crise que vem em péssimo momento tendo em vista a baixa popularidade de Macron entre os eleitores. 

 

O Reino Unido enfrenta grave problema de desabastecimento em várias cidades do país, faltam alimentos nos mercados e principalmente gasolina nos postos. São dois os principais fatores que explicam essa situação: a baixa diversificação dos modais de transporte no país e os impactos iniciais do Brexit. O sistema logístico britânico é predominantemente rodoviário, isso implica uma dependência do transporte através de caminhões, o problema é que ultimamente faltam caminhoneiros. Trabalhadores britânicos não querem empregos de baixa qualificação e o Brexit dificultou a entrada de imigrantes que estariam dispostos a trabalhar como caminhoneiros como sempre fizeram. Neste momento, as filas aumentam e Boris Johnson tem um grande desafio para resolver. 

 

Setembro também foi marcado por algumas eleições na Europa. Alemães e russos foram às urnas para escolherem seus representantes. Na Alemanha, após 16 anos de governo Merkel e de domínio do partido democrada-cristão, os social-democratas conquistaram a maioria do Bundestag e provavelmente terão na figura de Olaf Scholz o próximo chanceler da nação. Contudo, isso só será possível com uma coalizão junto de verdes e liberais que ganharam um expressivo número de cadeiras no parlamento. Já na Rússia, como esperado e apesar das controvérsias de repressão a opositores, o partido Rússia Unida de Vladimir Putin manteve a maioria absoluta na Duma, o que manterá o amplo controle do líder russo sobre os rumos do país.

 

4. China 

 

4.1 Resumo 

 

Após ser uma das poucas economias a ter crescimento positivo em um cenário de pandemia em 2020, a China voltou a apresentar bons resultados econômicos no primeiro semestre desde ano, tendo um crescimento de 7,9% no segundo trimestre. 

 

No entanto, nas últimas semanas o gigante asiático vem deixando o mercado em alerta, um dos motivos dessa atenção é a crise energética, que também é uma pauta em outros países. Além das questões energéticas, a inflação ao produtor, que atingiu seu maior índice nos últimos 13 anos e o possível calote da gigante chinesa Evergrande, preocuparam o mercado. 

 

4.2 Cenário base 

 

A crise energética não é um problema de exclusividade chinesa, o problema deixa o mundo em apreensão sobre como será a recuperação econômica após a pandemia. Outros grandes europeus vêm passando pelo mesmo problema na segunda metade de 2021, o Brasil também sofre com as incertezas sobre a capacidade de suas matrizes energéticas, no entanto a crise parece ser pior na segunda maior economia mundial, a previsão é de uma diminuição de 13,5% de energia por unidade de PIB, essa diminuição dos gastos energéticos e na produção deixam todo o globo aflito. 

 

O Partido Comunista Chinês utiliza-se desse fato para justificar o fechamento de termelétricas de carvão, a maior fonte de energia do país, tudo isso como uma tentativa de diminuir as emissões de carbono, mas ao mesmo tempo a China apresenta uma menor produção de energia eólica. 

 

Apesar da justa tentativa de diminuição das taxas dos gases causadores do aquecimento global, a demanda por energia não vem diminuindo também, províncias como a de Guangdong tiveram um aumento de 17% na demanda por energia, causada principalmente pela onda de calor e consumo de energia elétrica. 

 

Essa diminuição da produção de energia e aumento da demanda pela mesma, fizeram os preços subirem, o que trouxe outro problema para a economia chinesa, a inflação. As maiores altas têm relação com os preços da commodities, que tiveram uma grande variação nas últimas semanas. 

 

Apesar dos aumentos históricos nos preços ao produtor , esse aumento não foi passado ao consumidor amplo, a inflação está sendo observada de perto pelo governo chines e se mantém abaixo das expectativas para o ano de 2021. 

 

4.3 Destaques 

 

A queda da gigante imobiliária Evergrande, com ramos nos setores de minerais, entretenimento, mídia e veículos elétricos vem sendo acompanhada de perto pelos investidores e economistas do mundo inteiro . A empresa Evergrande é um conglomerado que tem US$ 309 bilhões em ativos (2% do PIB chinês), possui uma das maiores dívidas do mercado asiático US$ 83 bilhões, e apresentava sinais de não conseguir arcar com seus compromissos. 

 

A falência de uma empresa desse porte traria consequências desastrosas para a economia de todo o globo, dessa forma o governo Chinês, já se movimentou para, se não salvar, proteger o mercado da queda dessa gigante. O governo chinês injetou US$ 123 bilhões no sistema financeiro. O maior medo dos chineses não é uma queda isolada da Evergrande, mas sim um contágio para as demais empresas do ramo, já que o setor corresponde a 29% da sua economia. 

 

O mercado de capitais chinês fechou durante o feriado dourado chinês o que deu uma trégua para a crise causada pela Evergrande, após esse momento o mercado financeiro voltou a reabrir na sexta feira do dia 8/10, com promessa de grande volatilidade após as injeções de capital para aumentar a liquidez do mercado, por conta do alto número de dívidas que vencem no curto prazo. Existe também uma concentração dos investidores no próximo alvo do governo de Pequim e no impacto do default incorporado pela nova maior empresa do ramo imobiliário, após a crise envolvendo a Evergrande, a Fantasia Holdings , que assustou o mercado ao não pagar US$ 206 milhões em bônus que venciam.

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