"> A Necessidade da Cultura ESG

30 de Julho de 2020

A Necessidade da Cultura ESG

 

O advento do capitalismo propiciou movimentos como a globalização e a “desenvolvimento” das relações de mercado, tais ascendências resultaram em uma sociedade do consumo, em que os processos de produção são ignorados e o único almejo é a aquisição de novos bens e serviços que desconsideram a exploração ambiental e social, desencadeando assim insustentabilidade do planeta, desigualdade de classes e fomento de preconceitos entre as minorias. Entretanto, um novo olhar de responsabilidade social vem crescendo e exigindo mudanças, ao contrário do que prega nosso Presidente da República, Jair Bolsonaro e também o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, o país pode proteger o meio ambiente, ter crescimento econômico, criar empregos decentes e acelerar o progresso social com políticas inteligentes.

 

 

Não deve existir conflitos entre o desenvolvimento da economia e a saúde do meio ambiente, este é o conceito principal do ESG, sigla para Ambiental, Social e de Governança, que resume critérios para as empresas apresentarem um equilíbrio entre a produção e as práticas conscientes. O assunto é um tanto complexo por se tratar de mudanças necessárias, porém, inconsistentes para algumas pessoas, visto que pouco se foi apresentado sobre uma produção sustentável. A principal essência dos critérios é entender que não se trata de um produto sustentável, mas sim a realização dos processos de forma correta. Tais processos englobam desde o cliente, o fornecedor, os funcionários e a comunidade ao entorno da companhia e não apenas o lucro líquido para os acionistas.

 

 

Nos encontramos em uma mudança aguda, tanto social quanto estrutural. O modo de consumo está sendo questionado e cada vez mais as pessoas estão compreendendo o peso e a consequência que práticas impensadas e desrespeitosas trazem para as relações pessoais e para o planeta. O capitalismo enxerga isso e busca uma modificação consciente dos processos de produção, assim as empresas que estão interligadas com o ESG conseguem compreender melhor esse momento, aproveitando de forma eficiente as oportunidades, pensando a longo prazo e com isso correndo menos riscos.

 

 

Infelizmente muitas das grandes empresas brasileiras vão perder valor de mercado por apenas prezar pelas rendas que os ativos geram sem a consciência moral de não estrangular os recursos naturais no presente pensando em gerações futuras. Como exemplo disso, temos fundos de investimentos como a Nordea Asset e o fundo Soberano da Noruega que retiraram de suas carteiras algumas empresas que corroboram com desastres ambientais e sociais, desmatamento, falta de preservação e de práticas de projetos sustentáveis, entre elas a Vale, Eletrobrás e JBS. Investir em empresas que desconsideram o ESG, empresas poluentes, homofóbicas e antiéticas tornam o investidor coniventes com as práticas. A escolha da empresa deve considerar que ela seja um bom negócio com todas as análises convencionais como barreiras de entrada e competitividade, mas também a cultura ESG deve estar presente de forma satisfatória. Um ponto necessário a ser comentado é que tal mudança cultural é complexa e pode ser iniciada pelo engajamento do investidor na empresa para que haja uma pressão de melhora incentivando o seu alinhamento aos critérios de produção sustentável.

 

 

Tratar de equilíbrio é um tanto subjetivo, entretanto se tornar um equilibrista é o desafio essencial para a conquista de uma economia saudável que beneficie a todos e repudie a desigualdade. Em uma explanação do significado de cada palavra da sigla ESG e para um melhor entendimento de como ela reflete nas empresas temos a letra E (Envinorment, ou Ambiental), as críticas são intensas nesse ponto, pois tratamos os recursos naturais como infinitos e sem prestar nenhuma conta, entretanto essa conta está chegando e precisamos rever os usos indevidos e insustentáveis para a preservação ambiental.

 

 

A letra S (Social) é bem fácil de ser entendida pela história através das políticas imperialistas de expansão, domínio territorial cultural e econômico que se apropriou da liberdade e direitos de vários povos, esse fato reflete ainda intensamente na população por meio de injustiças sociais fortemente notadas no mercado financeiro, em que empresas desconsideram boas práticas interpessoais com clientes mas ainda mais criticamente com seus funcionários.

 

 

Por último o G (Governança), que já é uma questão mais difundida, porém com algumas deficiências em relação aos votos dos acionistas minoritários e estrutura societária.

 

 

Entretanto o Brasil se encontra em uma posição muito delicada, pois além do fato de a cultura ESG ser algo complexo e que necessita de um olhar atencioso, temos um desincentivo por parte do governo que vem lidando com as práticas ambientais como um fator que atrasa e prejudica o desenvolvimento econômico. Nosso ministro do meio ambiente se mostra contrário a qualquer tipo de desenvolvimento de políticas de preservação e apresentou falas de apologia a infração de regras ambientais. Tanto Salles quanto Bolsonaro possuem um histórico de incentivo a violência das reservas sócio ambientais, o que gera um respaldo para as empresas por parte do governo que não promove fiscalização e até beneficia desmatamentos e práticas insustentáveis.

 

 

É necessário que haja uma mudança no modo de ver o processo sustentável, pois, é possível considerar o meio ambiente e ter uma alta performance econômica. A ESG é mais uma das ferramentas para se investir, sem menosprezar as estratégias que cada fundo ou investidor possui, é interessante que os acionistas possuam não apenas um engagement tradicional, mas também com o intuito de transformar a companhia de forma que projetos de práticas sustentáveis seja agregado a sua produção conseguindo assim se equilibrar.

 

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