"> A Expansão Monetária no Contexto Atual do Brasil

25 de Junho de 2020

A Expansão Monetária no Contexto Atual do Brasil

A Expansão Monetária no Contexto Atual do Brasil

Escrito por: Carolina Ávila

 

A Política Monetária, nada mais é do que um conjunto de medidas que o governo adota e que visa o controle da oferta da sua moeda na economia. Nas economias atuais, quem controla a oferta de moeda é o Banco Central (BC) e ele faz isso, basicamente, comprando e vendendo títulos no mercado. O Banco Central pode tomar dois caminhos ao adotar determinada política monetária, o de expansão ou o de contração monetária. Hoje, vamos falar sobre o primeiro.

 

Antes de explicar como a expansão monetária é feita, devemos esclarecer certos pontos. O Banco Central é responsável por registrar todas as operações interbancárias de débito e crédito, sendo essas transações, lastreadas em títulos públicos. Funcionando do seguinte modo: o Banco Central, exige que ao final do dia, cada banco tenha uma quantidade pré-determinada em caixa, conhecida como depósito compulsório, caso seus clientes resolvam sacar suas cotas. Se o banco não possuir essa quantia, ele realiza um empréstimo de duração de 1 dia com outro banco e dá como garantia títulos públicos. Esse sistema utilizado em tais em transações, é chamado de Selic, e a taxa de juros desses empréstimos entre bancos, é a famosa taxa Selic.

Sendo assim, o BC possui um papel estratégico na compra e venda de títulos. Por exemplo, se um título público custa hoje R$800,00 e tem valor de resgate daqui um ano de R$1.000,00, dizemos que a taxa de juros é 25% ao ano. Se o Banco Central quer fazer essa taxa diminuir, ele compra esses títulos no mercado, pela lei da oferta e demanda, o preço aumenta e a taxa de juros, consequentemente, tem que cair para que seja alcançado o valor de resgate de R$1.000,00.

 

Depois esclarecer esses dois pontos, podemos seguir com a explicação de como a expansão monetária funciona. Se o Banco Central compra, por exemplo, US$ 1 milhão em títulos, o montante de títulos que ele retém aumenta em US$ 1 milhão, e, da mesma forma, o montante de moeda na economia também aumenta. Essa operação é chamada de operação de mercado aberto (porque ocorrem no ‘mercado aberto de títulos.) expansionista, já que o Banco Central aumenta (expande) a oferta de moeda.

 

Outro aspecto que devemos ressaltar é que, quando o BC decide baixar a Selic, existe a tendência de que todas as outras taxas de juros da nossa economia também caiam, afinal, a Selic é a base para todas elas. Com as taxas de juros mais baixas, se tornou mais fácil e “barato” tomar empréstimos, aumentando, também, a circulação de moeda na economia.

 

Já falamos sobre o efeito de uma expansão monetária na taxa de juros, mas não devemos esquecer que ela também tem grande influência na inflação! Como um dos resultados da expansão monetária é a maior disponibilidade de recursos na economia, aumentando o consumo, a renda, a produtividade industrial e, consequentemente, o PIB. Através da redução da taxa de juros, se reduz o estímulo à poupança e aumenta o consumo, aumentando o nível de preços e a inflação.

 

Agora que foi explicado os aspectos mais gerais da expansão monetária, vamos trazer suas implicações para o cenário em que vivemos. No atual contexto, a renda de grande parte da população do país foi afetada durante a pandemia. Diante disso, muito se fala sobre uma expansão monetária, visando o aumento de gastos públicos, como a melhor saída do governo, para não deixar aqueles que sofrem com questões financeiras sem amparo e dando auxílio para quem precisa.

 

Para financiar os gastos do governo, o Estado tem algumas possibilidades, sendo elas a emissão de dívida, emissão monetária ou os dois combinados. Ambas as alternativas remetem a uma expansão monetária.

 

Como estamos em um período de deflação, a emissão de dívida e de moeda teriam o caráter de transferir recursos para quem precisa. No cenário de deflação, emitindo moeda, o governo cria poder de compra que antes não existia. Endividando-se, toma emprestado de quem tem dinheiro sobrando e transfere para quem não tem como consegui-lo. Emitindo ou endividando-se o governo injeta dinheiro na economia, o que é de extrema importância, dado o nosso contexto.

 

Vale ressaltar que, nosso ministro da economia, Paulo Guedes, em reunião com senadores, chegou a mencionar que uma expansão monetária poderia ser uma saída da crise. Guedes, no dia 09/04/2020, em uma reunião, afirmou que o governo federal tem a “opção” de usar as reservas internacionais como forma de “subsidiar” a crise econômica provocada pelo coronavírus. Em 2019, de fato, o BC vendeu cerca de US$ 36 bilhões ao mercado financeiro e “ninguém sentiu falta”, a ideia do ministro, explicada por ele próprio, é que o Brasil venda US$ 70 bilhões de suas reservas internacionais, convertendo esse dinheiro para conter os danos à economia brasileira. No entanto, nenhuma medida do tipo se concretizou ainda.

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