"> Entendendo as Letras de Crédito

16 de Junho de 2020

Entendendo as Letras de Crédito

Entendendo as Letras de Crédito

Escrito por: Isabela Falcade

 

 

Em momentos de crise como o que estamos vivendo agora, é comum que os ativos de renda variável, como as ações ou os derivativos, sofram uma desvalorização, implicando em uma perda de patrimônio para seus investidores. Assim, os ativos de renda fixa ganham um papel importante nesse cenário, como uma alternativa às perdas e oscilações do mercado.

 

Renda Fixa é um termo utilizado para investimentos que têm as regras de remuneração definidas no momento da aplicação, essas regras determinam o prazo e a remuneração paga ao investidor. Quando você compra um título, você está emprestando dinheiro para o emissor do papel, que pode ser um banco, uma empresa ou até mesmo o governo.

 

No caso das letras de crédito, se empresta dinheiro para os bancos, para que esses possam oferecer empréstimos, por isso são isentas de taxas de administração. Quando se fala das LCIs (Letras de Crédito Imobiliário), os empréstimos são destinados aos financiamentos imobiliários, enquanto as LCAs (Letras de Créditos ao Agronegócio) destinam os empréstimos aos financiamentos relacionados ao agronegócio.

 

Uma das principais vantagens delas e o que mais chama a atenção dos investidores é a questão do Imposto de Renda. Pessoas físicas são completamente isentas dessa tributação, assim recebem o lucro integral e livre do imposto. Deste modo, as taxas de juros são mais atrativas, mesmo quando menores que o CDI, ou seja, para pagar o mesmo que uma LCI ou LCA com taxa de 90% do CDI, um CDB (Certificado de Depósito Bancário), por exemplo, que não é livre de imposto, teria que ter uma taxa de 116% desse mesmo CDI.

 

 

letras de crédito imposto de renda

 

Fonte: https://www.bussoladoinvestidor.com.br/porque-investir-em-letras-de-credito-e-uma-otima-ideia/

 

 

Já no caso das pessoas jurídicas, a cobrança do IR segue a tabela regressiva, assim quanto mais tempo o dinheiro ficar na aplicação, menor é a alíquota, variando de 22,5% a 15% sobre o rendimento.

Tabela regressiva do IR:

 

Fonte: http://olharinvestidor.com/certificado-de-operacoes-estruturadas-coe/tabela-regressiva-imposto-renda/

 

 

Em relação ao IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), a cobrança segue o padrão de todas as rendas fixas e se aplica tanto para pessoas físicas como jurídicas. A alíquota aplicável a investimentos com prazos inferiores à 30 dias é de 1% em função do prazo, ou seja, dependendo da quantidade de dias, se paga uma parte desse 1% do rendimento, de acordo com a tabela:

 

Dias

IOF (%)

Dias

IOF (%)

Dias

IOF (%)

Dias

IOF (%)

Dias

IOF (%)

1

96

7

76

13

56

19

36

25

16

2

93

8

73

14

53

20

33

26

13

3

90

9

70

15

50

21

30

27

10

4

86

10

66

16

46

22

26

28

6

5

83

11

63

17

43

23

23

29

3

6

80

12

60

18

40

24

20

30

0

 

Fonte: https://conteudos.xpi.com.br/aprenda-a-investir/relatorios/lci/

 

Outra vantagem, é que são garantidas pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito). Portanto, em um cenário extremo de quebra do banco que te vendeu os ativos, sua aplicação é garantida para valores até o limite de R$ 250.000,00 por CPF ou CNPJ por conjunto de depósitos e investimentos em cada instituição ou conglomerado financeiro, limitado a R$ 1.000.000,00 a cada período de 4 anos, para garantias pagas para cada CPF ou CNPJ.

 

Elas possuem também garantias físicas pelo crédito. Para as LCIs essa garantia se dá pela hipoteca ou alienação fiduciária de imóvel, enquanto para as LCAs são máquinas ou safras, por exemplo

 

Além disso, as letras de crédito são registradas na CETIP (Central de Custódia e Liquidação Financeira de Títulos Privados),uma empresa de capital aberto sem fins lucrativos que tem o intuito de auxiliar na transparência e na eficiência da liquidação de título privados. Assim, cabe a CETIP garantir o cumprimento dos requisitos legais necessários e oficializar de quem é a posse do título.

 

Por fim, os rendimentos das LCIs e LCAs podem ser prefixados ou pós-fixados. Para as taxas prefixadas, o valor a ser pago ao investidor já é decidido no momento do investimento. Já para as pós-fixadas, a taxa fica associada à um indexador, assim o emissor paga um percentual desse indexador definido no momento da contratação. Formas usuais de remuneração são: % do CDI, CDI+spread e índices de preço como o IPCA.

 

A escolha dos prefixados é preferível após um ciclo de alta de juros, já que deste modo os juros são “travados” em alta. Para os pós-fixados, no entanto, depende do tipo de remuneração. Uma porcentagem do CDI é mais recomendável quando há expectativa de aumento de juros, enquanto a recomendação do CDI+spread é para quando há uma tendência de queda. Já os investimentos que pagam os índices de preços, são mais indicados a investidores que buscam o longo prazo e a preservação de seu patrimônio.

 

Deste modo, as letras de crédito se apresentam como uma alternativa de investimento de baixo risco, já que são cobertas pelo FGC e por propriedades físicas, além de serem mais previsíveis, por se tratarem de renda fixa, e registradas na CETIP. Ao mesmo tempo, essas aplicações chamam a atenção de pessoas físicas em decorrência da sua ausência de Imposto de Renda ou taxas de manutenção, aumentando assim a sua rentabilidade. É importante lembrar no entanto, que independentemente do tipo de remuneração, são mais indicadas para objetivos de médio a longo prazo, por isso o planejamento financeiro se torna muito necessário para que o investidor não precise desse dinheiro antes do prazo.

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