"> Como as Empresas Brasileiras estão Lidando com o Câmbio

31 de Maio de 2020

Como as Empresas Brasileiras estão Lidando com o Câmbio

Como as Empresas Brasileiras estão Lidando com o Câmbio

Escrito por: Beatriz Viola

 

O assunto mais discutido nos últimos dias é a alta do dólar em relação ao real e o prejuízo que a crise trará a economia brasileira. São diversos os fatores que influenciam o preço da moeda americana e tornam a aversão ao risco cada vez maior, como a guerra comercial entre EUA e China, a turbulência do Coronavírus e a crise do petróleo. A cotação do dólar reflete a diferença entre oferta e demanda pela moeda - se há maior disponibilidade o preço tende a cair, se muita gente está comprando ao mesmo tempo, o valor sobe. Um exemplo de uma causa da diminuição do dólar foi uma política mais liberal iniciada a partir de 2016 com um controle fiscal maior e um câmbio mais livre, resultando em uma taxa de juros mais baixa o que diminuiu o fluxo de dólares no Brasil, assim observou-se uma desvalorização do real. Porém, há algumas empresas que estão conseguindo se beneficiar diante de toda incerteza política e da variação cambial que vem assolando a economia.

 

A princípio é necessário observar o cenário em que nos encontramos e analisar os fatores que interferem na volatilidade econômica diferindo as causas estruturais das conjunturais para entender como o dólar está ganhando espaço frente ao real. Dados como o diferencial das taxas de juros – quanto que os juros brasileiro está maior que o americano, queda da inflação, termos de troca, são fatores estruturais mais fáceis de mensurar do que a conjuntura que é residual, como os acontecimentos na política brasileira, o covid-19, que trazem muita incerteza para os investimentos e consequente desvalorização do real. Um ponto crucial é o aumento de aversão a risco, no qual os investidores tendem a valorizar ativos dolarizados, com menor risco. O mercado passa a precificar uma volatilidade das ações em períodos de crise como foi em 2008 e agora em 2020, o que significa incerteza - como mostra o gráfico:

 

 

 

O próximo fator é o preço das commodities: “os termos de troca”. Tal produto possui um baixo valor agregado e consiste em grande parte em matéria prima, por isso não tem grande diferenciação e o que interfere no seu valor é a oferta e demanda. O Brasil é um dos países relevantes na exportação de commodities sendo os principais, minério de ferro, celulose, petróleo, entre outros. No gráfico a seguir pode-se notar que tiveram o menor valor nos últimos 20 anos, a problemática tem resultado direto no PIB brasileiro e no mercado acionário.

 

 

 

Apesar do cenário negativo apresentado, o Brasil possui empresas de commodities com bons rendimentos favorecidos pela alta substancial do dólar, entre elas estão a Klabin e a Valle. Tais empresas conseguiram favorecer suas receitas, pois, mais da metade de sua produção é exportada em moeda estrangeira. Analisando mais de perto o exemplo da Kablin, podemos notar uma empresa com os dados bem transparentes com capital intensivo para crescimento com boa reputação no mercado que gera bons resultados na bolsa de valores. A seguir constam os dados de crescimento da empresa:

 

 

 

Como já observado o valor das commodities vem sofrendo depreciação, e com a celulose não é diferente, o produto teve queda em torno de 40% e foi o efeito cambial nas vendas que compensaram a pior época do valor da celulose gerando um fluxo de caixa ajustável. A Valle, empresa de destaque também nas ações brasileiras, tem um potencial favorecido pela commodities exportadas. Sua principal mineradora se encontra em Carajás, onde possui um minério de ferro de maior grau de pureza do mundo, conseguindo assim um melhor preço no mercado. Outro ponto positivo é que a empresa tem um bom histórico de distribuição de dividendos de suas ações. Todos esses fatores corroboram para que mesmo com a crise cambial o impacto na relação do primeiro trimestre de 2020 não fosse notório e para que suas ações ainda se mostrassem atrativas.

       

 

Infelizmente não foram todas as empresas que se beneficiaram com o câmbio, a Petrobras se prejudicou com a mudança cambial e monetária. Como resultado da guerra dos produtores de petróleo o preço do barril no mercado internacional despencou prejudicando o valor da commoditie no âmbito mundial. Assim com uma queda na exportação a companhia sofre com a oscilação da moeda.

 

        

A análise macroeconômica do câmbio mostra como os países emergentes têm suas moedas desvalorizadas frente ao dólar e como suas empresas lutam para conseguir manter as economias equilibradas. Possuir um mercado majoritariamente dependente de exportações de commodities é um fator de peso na análise cambial das moedas já que os produtos exportados possuem um baixo valor agregado. No caso do Brasil, a queda dos juros também propiciou a alta do dólar, pois já não estava mais atrativo os investimentos no mercado brasileiro resultando na saída de muita moeda estrangeira do país. Contudo, a alta do dólar pode ter bons benefícios a longo prazo como o fomento da indústria nacional já que a importação de produtos se torna prejudicada.

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