"> TPF: boa alternativa para seu colchão financeiro?

27 de Maio de 2020

TPF: boa alternativa para seu colchão financeiro?

TPF: boa alternativa para seu colchão financeiro?

Escrito por: Leonardo Kodama

 

 

Primeiramente, é importante dizer que o artigo não possui nenhuma intenção de recomendação de ativos, o único objetivo é o de divulgar o conhecimento sobre as mais diversas áreas do mercado financeiro.
Em tempos de crise, como a que vivemos agora, o cenário mais comum é a perda de patrimônio em ativos de renda variável, como as ações. Por conta disso, é muito importante que o investidor possua um colchão financeiro, ou seja, uma reserva emergencial, na qual parte de seu patrimônio estará alocada. Dessa maneira, o investidor estará protegendo seu patrimônio de uma potencial desvalorização conjunta. Grande parte dos investidores utilizam e/ou recomendam ativos de renda fixa para esse tipo de reserva. 
    

 

Um dos ativos de renda fixa são os velhos e famosos títulos públicos federais. São títulos emitidos pelo governo com o objetivo de captar recursos para financiar seus gastos e a dívida pública. Como o emissor é o governo, o risco de crédito (risco de o devedor não honrar a dívida) se torna muito baixo. Além disso, o Tesouro Nacional garante a recompra desses títulos pelo valor de mercado, em caso de resgate antecipado, portanto, o risco de liquidez (transformar o ativo em capital) é praticamente nulo, tornando os TPF um dos investimentos mais seguros e conservadores do país. Existem diversos tipos de títulos públicos com prazos, indexadores e cupons diferentes que são negociados no tesouro direto

 

 


Source: Tesouro Direto, acesso: 15/05/2020
 

 

Os títulos de Tesouro Prefixado são os que possuem sua rentabilidade prefixada, ou seja, sabe-se exatamente o valor dos juros pagos ao investidor no momento da compra (se o título for levado a vencimento). Como pode ser observado o Tesouro Prefixado se divide em duas vertentes, as LTN’s (Letras do Tesouro Nacional) e as NTN-F (Notas do Tesouro Nacional - tipo F). As LTN’s são chamadas de títulos de cupom zero, ou seja, os juros serão pagos somente no vencimento, junto com o principal. As NTN-F, por sua vez, possuem cupom semestral, ou seja, pagam juros semestrais e o principal no vencimento. Para os títulos prefixados, que não são levados até vencimento (resgate antecipado), existe o risco de mercado, ou seja, risco de desvalorização ou valorização do título. O valor dos títulos prefixados é inversamente proporcional à taxa de juros. 

 

 

As LFT’s ou Tesouro Selic são títulos do tipo pós-fixado, ou seja, que possuem sua rentabilidade vinculada à taxa básica de juros da economia (taxa Selic). Como a rentabilidade é diária, o investimento garante que o montante de capital resgatado será superior ao investido, em qualquer caso. Esse tipo de título não paga juros semestrais.

 

 

Por último temos o Tesouro IPCA+, que são do tipo híbrido, ou seja, possuem parte de sua rentabilidade prefixada e outra parte vinculada à taxa de inflação. O Tesouro IPCA+ é dividido em duas vertentes, as NTN-B Principal e as NTN-B. As NTN-B Principal pagam cupom semestral e o principal no vencimento, enquanto que as NTN-B pagam os juros somente no vencimento, junto com o principal. 

 

 

Os custos para realizar estas aplicações são compostos pela taxa da B3 e taxa de custódia. Atualmente, diversas corretoras cancelaram a taxa de custódia, isentando os investidores de pagá-la. Já a taxa da B3 possui um valor de 0,30% ao ano do valor investido.

 

 

A tributação dos títulos público federais se resume a dois impostos: imposto de renda (IR) e imposto sobre operações financeiras (IOF). Ambos são incididos sobre o rendimento, não sobre o montante final. 

 

 

 

O IOF é cobrado a uma alíquota regressiva e pode ser evitado se o resgate do investimento for superior a 29 dias. Dessa maneira, o investidor nunca retira menos dinheiro do que colocou, somente paga menos impostos se deixá-lo por mais tempo. 

 

Source: XP investimentos

 

 

Assim como o IOF, a alíquota do imposto de renda também é regressiva, mas a diferença é que não pode ser evitada. Percebe-se que para o investidor, o melhor cenário é deixar seu capital investido por mais de 24 meses, pagando, assim, a menor alíquota de IR possível.
  

 

 Agora que os títulos públicos federais foram devidamente apresentados e caracterizados, nota-se que a questão do título do artigo ainda não foi respondida. Portanto, os títulos públicos federais são uma boa alternativa para o colchão financeiro? Qual é a melhor delas, atualmente?

 

 

 Sim, os TPF são uma ótima alternativa para a reserva emergencial, pois, em sua maioria, levam todos os riscos à níveis baixos se levados até o vencimento. Atualmente, com o corte da Selic em 0,75 ponto percentual, indo de 3,75% para 3% e com a expectativa de mais um futuro corte, os TPF (com exceção da LFT) tornam-se muito atrativos em relação aos ativos em renda fixa. Grande parte dos ativos de renda fixa estão indexados à taxa DI, que por sua vez, anda lado a lado com a taxa Selic, ou seja, diminuíram o pagamento de juros com o atual corte. 
  

 

 Para fixar a ideia, levemos em consideração uma simples simulação: um investidor possui R$10.000,00 como reserva de emergência e pensa em três opções em como investi-los. A primeira opção é em um CDB que rende 100% do DI, a segunda opção é um título do tesouro prefixado com rendimento de 7,32% a.a., ambos com vencimento em 01/01/2026, e a última é a caderneta de poupança (rendimento de 70% Selic).
 

 

Source: Tesouro Direto, simulado em: 15/05/2020

 

Como é possível observar, apesar de possuir os custos (taxa da B3) e IR, o título do Tesouro Prefixado ainda é uma alternativa melhor do que o CDB em questão e a poupança, pois além de mitigar os riscos, possui uma rentabilidade maior, atualmente. 
    
 

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