"> A onda roxa

14 de Junho de 2019

A onda roxa

 

Escrito por: Felipe da Luz de Freitas

 

Nubank: a start-up brasileira criada em 2013 que promete acabar com as altas tarifas, juros abusivos, a complexidade e burocracia do sistema bancário. Parece um sonho, mas a NuBank promete fazer isso através de transparência, tecnologia e design inovador. A política da empresa é a favor de ouvir e valorizar a opinião do cliente e contra a burocracia e sistema de agência.

Contando dessa forma tudo parece muito utópico, portanto nesse artigo vamos investigar qual o modelo de negócio da NuBank e como, de fato, eles ganham dinheiro. Antes disso, analisaremos um pouco do histórico da empresa.

David Vélez, colombiano, erradicado nos Estados Unidos, veio para o Brasil para tentar abrir um escritório do fundo Sequoia. Frustrado com as experiências que teve com os bancos nacionais, decidiu fundar, conjuntamente à Cristina Junqueira, Edward Wible e Vagner S. Teves Jr. uma start-up para revolucionar a forma de operar com cartões de créditos e oferecer serviços financeiros. Em 2013, a Nubank foi fundada e no mesmo ano sua sede teve de se mudar para abrigar seus 300 funcionários. Em 2014, a empresa lançou seu próprio cartão de crédito internacional, com bandeira Mastercard, sem cobrar anuidade e gerenciado através de um aplicativo, sem a necessidade de agências para manutenção do cartão. No mesmo ano, começou a receber aporte de investimentos internacionais. No ano de 2016, o banco disponibilizou aos clientes a possibilidade de pagamento antecipado de compras parceladas, gerando desconto para o usuário. No ano de 2017 lança o Nubank Rewards, plataforma de recompensa que funciona com um programa de fidelidade, que geram pontos que podem ser utilizados em restaurantes, passagens aéreas e em serviços parceiros (a exemplo da Netflix, Uber, Amazon, etc). No ano passado, o banco se tornou uma empresa "unicórnio" (termo criado em 2013, para designar start-ups que possuem avaliação de preço de mercado de mais de 1 bilhão de dólares).  Posteriormente, a fintech inicia a função de débito em seus cartões e saques realizados em caixas eletrônicos nos bancos 24 horas e depois do aporte, pela chinesa Tencent, o valor de mercado da Nubank chega a 4 bilhões de dólares. A soma dos investimentos na empresa chega a US$ 420 milhões e tem como investidores Sequoia Capital, DST Global, Kaszek Ventures, Goldman Sachs, entre outros.

Em 2019, lança o NuCommunity que funciona para os clientes trocarem informações de maneira simples e transparente. Em consequência de todo esse histórico o Nubank foi eleito como melhor banco brasileiro, segundo a Revista Forbes e a Empresa mais inovadora da América Latina pela revista Fast Company. Também em 2019, a empresa anunciou sua expansão no México, com sua nova filial denominada Nu, sendo assim a primeira vez que a Nubank disponibilizará seus serviços fora do Brasil.

Por ser uma empresa de capital fechado, os balanços de resultados não são divulgados periodicamente como empresas de capital aberto. Entretanto em março de 2019, o Nubank divulgou seu balanço do ano de 2018. Sua receita mais que dobrou em relação ao ano de 2017, de R$ 567,3 milhões para R$1,23 bilhão. O prejuízo líquido ficou em R$ 100,3 milhões, melhoria de 14,3% em comparação com o ano anterior. As despesas operacionais aumentaram 82%. O portfólio de recebíveis de cartão de crédito também apresentou aumento, somando R$ 6,9 bilhões, 78,2% a mais que em 2017. O valor total de depósitos em NuConta também cresceu e atingiu R$2,43 bilhões. E o número de clientes chega a seis milhões.

O que chama atenção em todos esses números é a receita, que mais que dobrou de um ano para o outro, e o prejuízo líquido. No que tange o prejuízo, há o consenso de que isso não seja ainda um problema, tendo em vista que o banco segue o curso normal de uma empresa jovem que busca crescer e que vem alcançando seus objetivos, o que é representado pelo aumento significativo na receita e no número de clientes. A diluição dos investimentos deve ocorrer nos próximos anos, via aumento das receitas e se ocorrer de forma sustentável, resultará em aumento dos lucros e eliminação dos prejuízos operacionais iniciais.

 

 

O resultado do último balanço do Nubank, segundo o Banco Data está apresentado a seguir:

O lucro líquido do período foi negativo, bem como no ano anterior como mostra o gráfico e a tabela abaixo:


O lucro líquido corresponde à soma dos resultados, operacional e não operacional, da instituição após o desconto de impostos e participação nos lucros. É o quanto sobra de tudo que a instituição arrecada e gasta para manter seu funcionamento.

O índice de Basiléia é um  indicador que mede a relação entre patrimônio de referência de uma instituição financeira e o valor dos ativos ponderados pelo risco, ou seja, se um banco possui Índice de Basiléia de 20%, significa que, para cada R$ 100,00 emprestados, o banco possui patrimônio de R$ 20. Portanto, este índice da Nubank é alto (85,8%) visto que o índice mínimo exigido pelo Banco Central é 11%.

Tais dados nos mostram que o Nubank não é uma empresa “alavancada” em relação à seus empréstimos, mas que possui dívidas, oriundas de um processo natural de uma empresa nova que deseja crescer e alcançar novos mercados. Temos como exemplo a Amazon, que demorou para ter lucro líquido a fim de buscar mercado consumidor e para tanto criou dívidas para financiar essa expansão.

Como toda start-up, o objetivo da empresa era aprimorar um modelo de negócio e o fez com grande sucesso. O resultado se dá ao realizar o crescimento de maneira sustentável para que não seja um business que cresça em escalas astronômicas, porém que não gere caixa e que suas receitas não superem seus gastos à médio prazo. Então, a pergunta a ser respondida é a seguinte: como o Nubank ganha dinheiro? É simples! Segundo, o próprio banco, ganham dinheiro de duas maneiras: A primeira é quando o cliente realiza uma compra com o cartão, eles recebem do estabelecimento, através da bandeira Mastercard, um pequeno percentual desse valor; a segunda é quando o cliente escolhe por financiar parte ou o total do valor da sua fatura, o banco recebe juros, mesmo que abaixo do mercado, sobre o valor que foi financiado. Talvez, para se tornar mais rentável, comece a cobrar pequenas tarifas num futuro próximo. Outra solução seria ser anexado a algum outro banco que tenha interesse nessa nova geração de clientes “digitais”, para assim conseguir equilibrar os custos operacionais, mas isso não passa de suposição.

Como já nos foi mostrado nas análises anteriores, podemos resumir as análises com as palavras de Gabriel Silva, CFO da Nubank: “Nosso resultado de 2018 mostra mais uma vez a nossa capacidade de continuar acelerando crescimento de clientes, produtos e receita de forma sustentável e com ganho enorme de eficiência operacional”.

 

https://nubank.com.br/

https://terracoeconomico.com.br/nubank-pode-quebrar/

https://www.infomoney.com.br/negocios/grandes-empresas/noticia/8334035/goldman-pretende-financiar-expansao-do-nubank-na-america-latina

https://uk.reuters.com/article/us-tencent-holdings-nubank-m-a/chinas-tencent-invests-180-million-in-brazil-fintech-nubank-idUKKCN1MI20L

https://epocanegocios.globo.com/Empresa/noticia/2019/03/nubank-fecha-2018-com-prejuizo-de-r-100-milhoes-e-59-milhoes-de-clientes.html

https://itmidia.com/os-5-unicornios-brasileiros-de-2018-e-o-que-esperar-para-as-startups-em-2019/

https://www.infomoney.com.br/negocios/grandes-empresas/noticia/7971986/nubank-e-eleito-o-melhor-banco-do-brasil-pela-forbes-

https://www.infomoney.com.br/negocios/grandes-empresas/noticia/8070388/nubank-fecha-2018-com-prejuizo-de-r-1003-milhoes-e-o-dobro-de-receita

https://bancodata.com.br/relatorio/nubank/

 

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