"> A nova rota da seda: China e sua ponte ao ocidente

2 de Maio de 2019

A nova rota da seda: China e sua ponte ao ocidente

 

Um artigo por: Welker Abner de Oliveira

 

Sendo substancialmente foco dos noticiários internacionais, o fórum econômico chinês, prestigiado com 27 líderes de Estado além de dezenas de representantes de outros países, foi encerrado ao fim de março, de modo a representar mais uma onda de ambiciosos investimentos chineses dentro de seu campo infraestrutural, correspondendo assim à injeção de US$ 70 bilhões somente por parte do governo, valor que se adoçou ainda a outros US$ 8,7 bilhões destinados à ajuda de outros países parceiros do bloco, valores estes que expressam muito bem nova política desenvolvimentista expansionista chinesa, nos referimos aqui à chamada “Nova rota da seda”. Apresentado pelo governo chinês em 2013, o projeto de expansão comercial  “One Belt One Road” (“Um Cinturão Uma Rota”, em inglês). Protagonizado sobretudo pela China (e secundariamente pela Rússia), o projeto visa, em linhas gerais, criar a maior rede de comunicação e transporte global já existente, promovendo uma dinâmica comercial que, muito mais que a Eurásia, promete mudar todo cenário global, reconfigurando os fluxos econômicos e transformando o Gigante Asiático na peça central dentro do tabuleiro comercial mundial. O projeto, que conta com corredores marítimos; oleodutos; aeroportos; estradas e ferrovias, é contemplado com uma grande significância histórica, muito ressaltada pelos apoiadores do proposta (assim como ocorreu no discurso de abertura do presidente chinês), visto a antiga “Rota da seda”, trajetória pelas quais as mercadorias transitavam entre ocidente e oriente desde a Idade Média.

 

 

Neste artigo, visando compreender um pouco mais deste vigoroso avanço chinês ao ocidente, iremos abordar, sobretudo, a dinâmica da interação do país entre os três continentes mais afetados pelo cinturão econômico, isto é, África, Ásia e Europa - além de uma breve introdução logo a seguir. Por fim analisaremos um pouco mais do mais das implicações geopolíticas do corredor chinês.


 

Breve Introdução

 

A Nova Rota chinesa, conforme veremos, pode-se melhor compreender como a culminância de diversos ambiciosos programas de expansão comercial a envolver, sobretudo, o Gigante Asiático, de modo a que, se considerado unitariamente, One Belt One Road torna-se assim o maior projeto de investimentos infraestruturais já realizados em toda história. Com estimativas de custo entre US$ 1 a 8 trilhões (que será, em grande parte, convertido à moeda chinesa), o projeto deve afetar diretamente cerca de 70 países entre África, Ásia e Europa, combinando assim rotas terrestres que ultrapassam 20 mil quilômetros (com seis principais corredores terrestres e um marinho), o que será possibilitado através diversos grandes planos referentes à construção de vias de transporte efetuados pela China. O cinturão, dessa forma, se mostra um promissor investimento que promete elevar o país à categoria de centro econômico mundial, aumentando ainda mais seu poder político, resolvendo questões externas (como a má relação com alguns países asiáticos) e internos (como a alta densidade demográfica na região litorânea do país, que pode ser revertida com o aumento das atividades econômicas destinando a população ao centro e ao oeste do território nacional chinês. Desta forma, a questão passa a atrair tanta atenção internacional, definindo, provavelmente, os rumos da economia global dentro das próximas décadas.


 

China e África  

 

O título inicial do artigo foi estabelecido como “A nova rota da seda: China e sua ponte à Eurásia”, contudo, ao analisar um pouco mais profundamente a prospecção apresentada pelas políticas, digamos, “predatórias” do governo chinês, vemos que suas metas de desenvolvimento abarcam muito mais que seu continente e o Velho Mundo. Podemos, nesse sentido, apontar rapidamente algumas evidências claras desta política de “ocidentalização” chinesa. Nos referimos assim aos diversos empréstimos e financiamentos sobretudo a países sul-americanos e africanos (o que se aclara, conforme veremos, quando considerado que a China hoje é a responsável direta por quase a totalidade do desenvolvimento infraestrutural de diversos países do continente), tal como a densa relação comercial com os mesmos - vale ressaltar que a China corresponde hoje ao maior parceiro comercial, não só do brasileiro, mas a também de diversos países da África. Ademais, há também, inclusive, uma tentativa de aproximação cultural ou, como visto dentro das Relações Internacionais, desenvolvimento do Soft Power, o que se materializa, por exemplo, através do Instituto Confúcio, organização educacional financiada e vinculada ao Ministério da Educação chinês que visa a instrução cultural e idiomática de milhares de estudantes pelo mundo. Tendo isso em mente, passaremos a nos restringir, sobretudo às dinâmicas e consequências desta “chinalização africana” em relação ao corredor comercial.

 

(Investimento direto estrangeiro chinês na áfrica em 2005 - vale notar que esse investimento cresceria consideravelmente nos próximos anos)

 

Nesse sentido, podemos realizar uma breve digressão a 2017, quando, no início de agosto, a China realizou a inauguração de sua primeira base naval fora do território nacional, localizada na costa do Djibouti, no Chifre da África. Vale notar que a instituição de uma base militar em outros países é uma prática relativamente comum entre as grandes potências, como uma forma de projeção de força aos países aliados, aumentando a influência e possibilidade de investimento estrutural na região, ademais a localização não veio ao acaso, isto é, ainda durante o período, como se pode ver, a China já exercia uma influência bastante consolidada no continente, de modo a garantir um maior acesso a importantes rotas marítimas, tal como o Canal de Suez e o Golfo Pérsico, deste modo a base se justificaria como uma forma de garantir a proteção desta rota comercial (contra a pirataria ou, eventualmente, algum país rival) e como o aumento da segurança a futuros investimentos na região, como veremos. Ademais, a base foi vista ainda como uma extensão Colar de Pérolas da China (China’s String of Pearls), sendo também um importante condicionador à nova rota comercial. A importância da África à China, porém, não se encerra por aí, isto é, o continente, muitas vezes, é visto como um palco de uma nova Guerra-Fria, agora entre as duas maiores potências mundiais, oferecendo um solo muito rico em artigos minerais, petróleo, um mercado-consumidor em expansão etc., que os EUA (e,  em parte, as potências europeias) não tencionam ceder à China.

 

Esta é uma guerra, porém, que a China tem vencido. Sendo o maior parceiro comercial do continente como um todo, com cerca de um milhão de chineses vivendo no território, sobretudo para trabalhar nas diversas obras de infraestrutura desenvolvidas pelo governo, o país tem angariado uma influência muito significativa na região. Justamente nesse ponto, a relação sino-africana torna-se mais interessante, isto é, com cerca de 800 empresas chinesas atuando em solo africano, destacam-se os setores financeiro, de infraestrutura e de energia, o que garante, por exemplo, o acesso chinês às bacias de petróleo da costa atlântica africana, caso em que a Angola e, apesar de não estar na Costa Atlântica, o Quênia e o Sudão, se sobressaem abrindo a possibilidade da exploração chinesa, tal como a construção de uma pesada infraestrutura de transporte, por oleodutos que atravessam o continente à Costa Índica, processo de desenvolvimento infraestrutural tal que se  atualiza e estende o cinturão chinês até mais ao oeste, chegando até mesmo ao Senegal. Por outro lado, o adensamento da Nova Rota da Seda pela África significa também um maior desenvolvimento das Zonas Econômicas Especiais pelo continente (com destaque à Argélia, Egito, Etiópia, Ilha Maurícia, Nigéria, e Zâmbia), o que implica em uma ampliação da produção, escôo, consumo e consequentemente lucro chinês, paralelamente ao que acontece com diversos parques industriais pelos países citados. Uma característica ilustrativa, porém bastante nefasta, desta relação é o comércio de armas leves ao continente, a incluir armas brancas, como ocorreu substancialmente no caso do massacre de Ruanda, na venda de milhares de machadinhas aos radicais do país. Neste sentido, a chamada Stadium Diplomacy (Diplomacia de Estádios), provavelmente resume bem o avanço chinês pelo continente, isto é, se utilizando de diversas políticas de financiamento de obras, empréstimo sob baixos juros e até perdão de dívidas, o Gigante Asiático tem conseguido adentrar no continente, garantindo uma grande influência e principalmente vantagens comerciais a médio-longo prazo.


 

Fonte: Iniciativa de pesquisa China-África na Escola de Estudos Internacionais Avançados da Universidade Johns Hopkins

 

Ao que pese, apesar da distância e da ausência de conexão direta com o continente africano, a China e seu projeto de extensão comercial se mantêm em próxima conexão com o mesmo, consolidando uma relação que vai muito além da Rota da Seda original, atingindo novos mercados ocidentais.


 

China e Ásia

 

Não é preciso se estender muito para explicar a importância chinesa dentro da dinâmica político-econômica asiática, isto é, fatores como sua grande dimensão territorial, demográfica e econômica lhe permite superar até mesmo os Tigres Asiáticos, fatores estes que justamente a aproximam politicamente a China da Rússia (e, em menor grau, da Índia).

 

Neste ponto, pode-se pensar na aproximação sino-russa como conhecemos atualmente, como um processo relativamente recente, mas bastante intensivo. Apesar do que se pode pensar inicialmente, a Rússia ainda enquanto URSS e a China, durante a Guerra Fria, mantiveram uma relação pouco amistosa, após a cisão ideológico-política dos governos comunistas da época, o que se manifestou em diversos confrontos, sobretudo indiretos, entre as potências. O fim da Guerra Fria, porém, trouxe consigo uma perspectiva de aproximação entre os países, o que culminaria no Tratado de Boa Vizinhança assinado em 2001 que evoluiria na chamada Organização de Cooperação de Xangai, acordo de assistência militar, contudo com ramificações econômicas e culturais que eventualmente recepcionou também a Índia e outros países da Ásia Central, de modo a representar, aproximadamente, metade da população do planeta, materializando um grande passo à articulação política chinesa. Ademais, pode-se ainda considerar outras importantes agremiações políticas que unem as potências asiáticas, como o próprio BRICS (a também incluir a Índia), além de outros acordos  econômicos (recorrentes sobretudo durante a última década) que promovem o comércio em ambas suas moedas nacionais, evitando assim a influência (lê-se aí principalmente sanções) do dólar e do euro, de modo a, inclusive, ocorrer a formulação de um banco com 150 bilhões de yuans de investimento entre os dois países em 2014, durante a crise ucraniana. Pode-se ainda apontar outras áreas fundamentais, como a espacial e a militar, em que ambos os países (com forte presença também indiana) mantêm aproximação, mostrando já uma tradicional relação de cooperação mútua.

 

Em quesitos econômicos, consonantemente, ambos os países têm muito a ganhar juntos, mantendo relações de cooperação comercial que tendem a se ampliar a partir da extensão do novo cinturão pelo continente asiático, o que explica também os fortes investimentos por parte russa. Neste sentido, uma das parcerias mais fundamentais entre os países tem sido no setor energético, o que se aclarou em 2014, no acordo entre Moscou e Pequim de fornecimento de gás a partir do novo gasoduto russo entre Sibéria e Oceano Pacífico, de modo que estabeleceu-se um tratado que visa direcionar 38 bilhões de metros cúbicos em gás natural anualmente à China por trinta anos em um valor de US$ 400 bilhões - vale notar que novo gasoduto, que deve ser finalizado este ano, já compõe parte da Nova Rota. A Rússia, torna-se assim, um dos principais  parceiros da China, cooperando em diversas áreas relevantes ao desenvolvimento do país.

 

(04/07/17 - Putim presenteando Xi Jinping com a “Ordem de Santo André”, uma das maiores honrarias concedidas pelo Estado russo - o presidente chinês foi o primeiro estrangeiro, não-vinculado à URSS, a receber a Ordem)

 

Vale ainda considerar que os corredores comerciais também garantem um aumento da influência direta chinesa sobre os países afetados, o que significa ampliar o grau das relações diplomáticas entre os países, possibilitando uma maior estabilidade política na região, o que se manifesta, por exemplo, no caso do corredor Paquistão-China (estabelecido em 2013), que, além das vantagens comerciais, implica também na diminuição das tensões na região fronteiriça, constantemente alvo de disputa internacional, sobretudo entre o Paquistão e a Índia, visto sua importância hídrica.


 

China e Europa

 

Por fim, vamos até o Velho Mundo, região que tem sido o foco de atenção chinês dentro do desenvolvimento do projeto comercial. Nesse sentido, podemos retroceder ao fim de março, quando o presidente chinês Xi Jinping iniciou uma “turnê” pela Europa buscando apoio dos principais representantes do continente ao seu projeto de aproximação econômica, ao passo que uma das principais reuniões realizadas foi com Giuseppe Conte, primeiro-ministro italiano, fazendo com que seu país se tornasse o primeiro dos membros do G7 a adentrarem no atual plano carro-chefe da política comercial chinesa, mandando ainda um claro sinal de alerta à economia estadunidense, que tende a ficar mais isolada a partir do acordo.

 

Nesse sentido, a Itália tornou-se o primeiro dos países considerados mais desenvolvidos a aderir à causa chinesa, assinando assim a 29 contratos e minutas com um valor que pode variar entre US$ 2,5 bilhões a US$ 20 bilhões. Assim, o projeto apresentado visa o desenvolvimento infraestrutural da região, aumentando a capacidade  de produção do petróleo italiano, além ainda de interligar a infraestrutura da região à que está sendo construída pelos chineses nos países entre a própria China e a Itália - vale notar que, em linhas gerais, tal a conexão comercial direta entre o Dragão Asiático e a Europa é um dos principais objetivos de todo o programa, vide que simboliza a restauração da Rota da Seda histórica, o que, inclusive, já tem ocorrido através das duas, respectivamente falando, maiores rotas terrestres do planeta: China-Madri (inaugurada em 2014) e Londres-Yiwu (inaugurada em 2012). Faz-se importante ainda considerar também o desenvolvimento da infraestrutura marítima da região, visto a conexão através do Canal de Suez. O acordo ainda contempla compromissos de desenvolvimento turístico, intercâmbio cultural e alguns tratados de exportação tomados pela China, caracterizando os acordos gerais estabelecidos pelo governo chinês, tal como já ocorreu com a Croácia, Hungria, Grécia, Polônia e Portugal.

 

Para além dos resultados comerciais da visita do líder chinês, faz-se interessante observar o cenário e a importância no qual a viagem do mesmo se constrói. Nesse sentido, após a reunião com Comte, Xi Jinping foi a Paris e se encontrou com o presidente francês Emmanuel Macron, à premiê alemã Angela Merkel e com o líder da Comissão da União Europeia Jean-Claude, evidenciando, assim como na visita com o premiê italiano, uma pesada crítica às políticas adotadas pelo governo estadunidense e suas estratégias econômicas bilaterais (justamente onde os EUA conseguem exercer mais força, tal como ocorreu na guerra comercial sino-estadunidense), o que rendeu novos debates sobre a reforma da OMC e manutenção das políticas multilaterais (objeto de grande importância aos países relacionados). A partir disso, a China se projeta cada vez mais como um parceiro comercial viável à Europa, o que se ressalta a partir da política tarifária mais agressiva de Trump, isto é, situações como as sanções estadunidenses à Itália ou mesmo, em menor medida, à multinacional chinesa Huawei, tem provocado tensões diplomática e desgastes políticos pouco interessantes à Europa, forçando seus respectivos governos a desdobramentos muito mais complexos à resolução de seus entraves com o líder estadunidense, de modo a alavancar as possibilidades de acordos comerciais, aparentemente mais razoáveis.

 

Por outro lado, os investimentos chineses têm também deixado a União Europeia cautelosa, visto justamente o caráter predatório apresentado neles. Visões mais alarmistas tendem a olhar o processo de desenvolvimento chinês com mais suspeita, isto é, conforme o país angaria novos parceiros comerciais, se intensifica uma fulminante ascensão econômica por parte da economia asiática,  dando ao país asiático mais influência e poder político pelo mundo, ademais há ainda de se considerar também que a China se torna assim um pesado concorrente às grandes economias europeias, que se vêem perdendo mercados e chances de realizarem importantes obras, sobretudo, ao leste do continente. Em suma, coloca-se agora na balança as possíveis consequências desta aproximação à China (e em menor grau à Rússia, em grande parte pela enorme ferrovia que conectará o país à Europa) sobretudo em momento de maior instabilidade política dentro do continente.

 

Respectivamente, líder da Comissão da União Europeia Jean-Claude, presidente chinês Xi Jinping presidente francês Emmanuel Macron e a premiê alemã Angela Merkel


 

Implicações geopolíticas do avanço chinês

 

Não se faz difícil perceber (ou assustar-se) como o crescimento chinês parece implacavelmente afetar todo o globo, o que explica mais claramente as diversas previsões que apontam como, dentro de alguns anos, o Gigante Asiático deve tornar-se a primeira economia mundial. Neste ponto, não por acaso, os EUA têm estabelecido uma política de constante crítica contra, sobretudo, o projeto desenvolvimentista chinês, o que se manifesta em certa medida no combate a algumas importantes empresas do país, como ocorre com a Huawei ou até em extensas taxações, tais como as vistas entre ambos os países durante todo ano de 2018. Vale ressaltar que visões maniqueístas pouco são úteis ao analisar quadros tais como o presente, o que implica em tentar entender os interesses dos atores políticos e econômicos afastando-se de certos juízos de valores.

 

Tendo isso em mente, pode-se compreender, sobretudo, na reação estadunidense críticas muito pertinentes, ainda que enviesadas. Desta forma, aponta-se sobretudo à chamada debt-trap diplomacy (“diplomacia da armadilha de dívidas”), apontando aos possíveis prejuízos aos países parceiros da China, parceria essa que, em linhas gerais, corrobora ao endividamento do país em relação ao gigante asiático, diminuindo sua independência econômica e política, fenômeno que tem se comprovado claramente dentro da África conforme o país avança a tomar cada vez maior parte da cadeia infraestrutural, tecnológica, extrativa, comercial e financeira dos países com quem “colabora”, o que se sustenta, justamente, a partir da suposta destes acordos de desenvolvimento com vantagens mútuas aos países. Vale notar que a situação se altera em algumas conjunturas asiáticas e como um todo dentro da Europa, onde a China não poderia exercer tamanha influência econômica, ao menos em um primeiro momento, contudo este seria ainda um presságio bastante gritando do que poderia acontecer aos futuros países que se aventurarem em parceiras do gênero.

 

Por outro lado, o alarme, sobretudo, soado pelos EUA vem também como uma preocupação bastante particular do país. Apesar de beneficiar o comércio na região, aumento o fluxo de mercadorias e afins, um acordo do gênero muito pouco beneficia o país americano, o que se esclarece simplesmente pelas próprias questões geográficas, isto é, o acordo se mostra com fortes possibilidades de potencializar as economias envolvidas, que se amplia sobretudo à Rússia e principalmente à China, grandes rivais estadunidenses. Paralelamente, a Nova Rota da Seda consolida e amplia a influência chinesa na região, o que restringe, ao menos em um primeiro momento, as possibilidades comerciais estadunidense, cenário que o país vem justamente tentando evitar.

 

A perspectiva chinesa, porém, vem justamente em contramão à crítica da armadilha da dívida. Projetando-se agora como uma espécie de baluarte do livre mercado e de negociações multinacionais, o Gigante Asiático apresenta uma prospectiva bastante razoável de desenvolvimento mútuo (“win-win” diplomacy), argumentação que soa justa ou ao menos aceitável por grande parte dos países africanos, que veem nela  as chances de trazer um progresso estrutural das possibilidades apresentadas em suas próprias cadeias produtivas. O que se estende com mais ressalvas ao Norte do Globo, como visto na hesitação apresentada por alguns dos líderes europeus quanto ao caso. Seja como for, o progresso chinês parece continuar vigorosamente, o que se soma, inclusive, a condições econômicas mais favoráveis, no que pese o conflito da guerra comercial com os EUA, resta então manter a atenção ao futuro da região, que promete mudanças significativas dentro dos próximos anos.




 

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