"> Crowdfunding: Uma Alternativa de Investimento

14 de Janeiro de 2017

Crowdfunding: Uma Alternativa de Investimento

Escrito por: Gabriel Américo e Miriam Rueda

O sentimento de ter concebido a ideia do projeto de vida, seja a idealização de um negócio próprio ou a oportunidade de causar um grande impacto na comunidade em que mora, é comum a quase todas as pessoas. “Quase todas”, pois aquelas que ainda não o tiveram, de certo terão. No entanto, por que a maior parte de todos esses insights não avançam além disso? Por que não evoluem, deixam de ser uma simples ideia e passam a se tornar algo concreto? São perguntas coerentes visto que de acordo com o Global Enterpreunership Monitor 2013, 34,6% dos brasileiros entre 18 e 64 anos têm o sonho de “ter seu negócio próprio” e, de um universo de cerca de 40 milhões de empreendedores, 71,3% identificaram uma oportunidade de negócios. Esses dados nos indicam que brasileiros de diversas regiões do país possuem vontade, disposição e enfrentam os desafios de se empreender.

Contudo, o GEM 13 também nos mostra que entre os fatores limitantes para a atividade empreendedora no país, a dificuldade em obter apoio financeiro é apontada por mais de 40% dos especialistas entrevistados sobre as questões relacionadas às condições para empreender num país (Enterpreneurial Framework Conditions – EFCs). Em um cenário de juros elevados como o Brasil, é compreensível que o apoio financeiro seja uma questão crucial para incentivar a iniciativa e desenvolvimento de novos projetos.

É nesse contexto em que surgem alternativas para viabilizar a realização daqueles projetos engavetados. Uma em especial tem crescido e ganhado popularidade no Brasil, o Crowdfunding. A quem o termo ainda não é familiar, pode-se traduzir como “financiamento coletivo”.

Um modelo de financiamento descentralizado e independente de instituições financeiras, pautado em contribuições voluntárias motivadas pelos mais diversos fins. Utilizando o aparato tecnológico atual, os projetos financiados via crowdfunding utilizam, em ampla maioria, plataformas digitais, como Kickstarter (maior plataforma de crowdfunding do mundo com mais de US$2,2 bilhões de dólares arrecadados para projetos “bem-sucedidos”) e Catarse (o maior site de crowdfunding no Brasil). Ambas online e gratuitas, hospedam e catalogam os mais diversos projetos criados por indivíduos que encontraram no contato direto com a comunidade a melhor alternativa para tirar do papel as ideias que não seriam atrativas aos mercados de crédito e capitais. Desta forma, ao descentralizar as decisões de investimento, o crowdfunding tem o potencial de quebrar paradigmas no mercado de crédito permitindo que o público, e não instituições financeiras, decidam quais projetos serão financiados.

Como forma de incentivo a novas campanhas, as plataformas disponibilizam diversos manuais e instruções de como elaborar um projeto de crowdfunding e ser bem-sucedido. O Catarse, por exemplo, oferece guias de como elaborar o escopo do seu projeto (o primeiro passo para criar uma campanha), como monitorar a rede de colaboradores da campanha, uma calculadora específica para estimar mais precisamente o valor final da meta de arrecadação, levando em consideração todos os custos incorridos para a execução do projeto e implantação da campanha de financiamento.

Com o intuito de ser altamente difundido e abrir espaço para diálogo com a comunidade de potenciais colaboradores da campanha, as pessoas que escolhem o crowdfunding para tirar suas ideias do papel buscam ser o mais transparente possível quanto à proposta do projeto, exibindo detalhadamente como se dará a implantação, execução e entrega do que está sendo financiado. Também disponibilizam como serão empregados os recursos arrecadados através da campanha, qual valor será destinado para arcar com os custos do projeto, o quanto será suficiente para cobrir a taxa da plataforma (o Catarse cobra uma taxa de 13% do valor estimado do projeto, por exemplo) e para elaboração e entrega de recompensas. É muito comum participantes lançadores de campanhas oferecerem recompensas para aqueles que doam para seu projeto, formato conhecido como reward-based crowdfunding. De agradecimentos formais a exemplares do tipo de projeto que está sendo financiado, a criatividade é fundamental para aqueles que buscam doações para sua campanha. Contudo, é necessário destacar que não é de fato obrigatório a oferta de recompensas, a prática é comum pois é utilizada estrategicamente para atrair mais financiadores.

Essa característica é chave para diferenciar o crowdfunding baseado em doações do equity crowdfunding, ou investimento coletivo. O equity crowdfunding é a saída que muitas startups vêm encontrando para tirar do papel seus projetos, sem depender de empréstimos bancários ou aporte de capital semente para obter os investimentos necessários. Micro e pequenas empresas apresentam seus projetos através de plataformas digitais de equity crowdfunding, pelas quais investidores que acreditam no sucesso da empresa investem recebendo em troca uma participação acionária da empresa ou títulos de dívida conversíveis em ações. Esse “mercado de investimentos em startups” já é expressivo em vários países, e vem crescendo muito no Brasil, onde destaca-se a plataforma Broota. Muitos investidores veem vantagem em investir em startups pois, por tratar-se de investimentos mais baixos (mínimo de R$1 mil no Brasil), a possibilidade de diversificação é maior, e além disso, se o investidor obtém um título de dívida conversível, ele não se compromete como sócio de uma empresa que pode não dar certo.

O principal atrativo para quem decide doar para algum projeto de crowdfunding são os ideais. A pessoa deve acreditar na proposta do projeto e, de alguma forma, ver algum futuro na empreitada. É justamente por não depender de conquistar os doadores por interesse (como em patrocínios, financiamentos bancários etc., onde o credor empresta ou doa, pois receberá algo em troca: visibilidade, juros), que o financiamento coletivo vem ganhando tanta visibilidade no mundo. Muitas pessoas viram nas plataformas de crowdfunding uma forma de colaborar com algo em que acreditam e que antes não era possível por falta de tempo ou simplesmente por não saber como achar o projeto certo para colaborar.

 

Fontes:

Machado, Tomás P.; “A Economia do Crowdfunding”; Universidades Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Araraquara 2015.

http://link.estadao.com.br/noticias/geral,financiamento-coletivo-e-nova-opcao-de-startups-em-busca-de-investimento,10000030122

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/08/1671921-plataformas-permitem-investimento-coletivo-em-troca-de-acoes-da-empresa.shtml

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