"> Derivativos: o Mercado de Opções

18 de Janeiro de 2017

Derivativos: o Mercado de Opções

Escrito por: Leonardo de Santis e André Araújo Miranda

No início da década de 70, várias mudanças ocorreram no mundo. O sistema mundial de câmbio tornou-se mais livre, fazendo com que as taxas de juros também sofressem grandes oscilações. Essas mudanças no cenário global junto com as duas crises do petróleo mostraram que era necessário o desenvolvimento de instrumentos financeiros mais eficientes para proteção de investimentos e para financiamento. Assim, os Derivativos começam a ser utilizados.

Derivativos são contratos em que o valor deriva de um ativo subjacente, que abrangem tanto ativos físicos, como commodities, quanto ativos financeiros, como ações e taxas.

Dentro desse mercado, temos as opções de compra e venda de ativos. Opção é um instrumento financeiro que dá a seu possuidor o direito, não a obrigação, de comprar ou vender um ativo a um determinado preço até uma data específica. Para ter esse direito, ele paga em data atual um valor ao lançador chamado prêmio da opção. O lançador da opção terá a obrigação de exercer o contrato ao preço acordado (strike), caso o possuidor assim deseje.

 As opções de compra são chamadas de call e as de venda de put e todos os contratos possuem um preço de exercício (strike) e uma data de vencimento. No que tange à data de vencimento e tipo de exercício, existem dois tipos de opções diferentes: as opções americanas, que podem ser exercidas a qualquer momento pelo tomador até a data do vencimento, e as europeias, que por sua vez só podem ser exercidas na data do vencimento.

Na BM&F Bovespa, o código de uma opção é composto pelo código da empresa emissora, uma letra que representa o tipo e o mês de vencimento e dois números que designam o preço-alvo teórico de exercício da opção. Seguindo a tabela abaixo, nota-se que o código VALED44 representa uma opção de compra com vencimento em abril com um preço-alvo teórico R$44,00.

Para esclarecer o funcionamento de um contrato de opções, podemos imaginar que um determinado investidor compra um contrato de opção de compra (call) de um lote de 100 ações por R$560, com strike de R$88,00 por ação. Em um cenário pessimista, onde até a data do vencimento o preço da ação não passe de R$88,00, o tomador não exercerá seu direito, pois vale mais a pena comprar a ação no mercado a vista, e terá um prejuízo de R$560. No entanto, em uma hipótese otimista onde o preço da ação suba para, por exemplo, R$100,00, o tomador exercerá seu direito de compra, podendo adquirir as ações pelo preço acordado de R$88,00 e imediatamente vende-las por R$100,00, obtendo lucro positivo na operação. Os contratos de opções não servem somente para obter lucros e retornos positivos aos investimentos. Eles podem ser usados também para hedge, uma operação que tem como objetivo proteger o valor de um ativo contra possíveis perdas futuras. Suponhamos que um determinado investidor possua 1000 ações de determinada empresa em setembro de 2016 e o preço por ação é de R$28,00. Para se blindar contra uma possível baixa no preço das ações, ele compra 1000 quantidades de opções de venda de novembro sobre as ações da empresa pelo preço de exercício de R$27,50, assegurando seu direito de vender 1000 ações pelo preço do contrato. Caso as ações caiam pra R$26,00, o investidor pode exercer seu direito e vendê-las pelo strike, diminuindo sua perda.

O maior atrativo do mercado de opções é o efeito da alavancagem. Suponhamos uma ação que esteja cotada a R$60,00 em 1 de agosto e a opção de compra dessa ação com preço-alvo de R$68,00 e vencimento em 22 de agosto esteja com um prêmio a R$0,36 por ação. Como opções são vendidas em lotes de 100, deve-se pagar R$36,00 para a aquisição. Depois de uma semana, o preço da ação aumenta para R$67,00, se aproximando do valor da opção, que também se valoriza e passa a ser negociada por R$ 0,94. Com uma valorização de 5% da ação, a opção se valorizou mais de 150%. Esse efeito multiplicador é a chamada alavancagem, pelo prêmio da opção controla-se a variação de um lote inteiro das ações alvo.

Muitos investidores são atraídos para o mercado de opções na expectativa de altos lucros pela alavancagem se esquecendo que, como vimos, também é possível perda de 100% do capital em cenários pessimistas. Portanto, é de extrema importância ter amplo conhecimento do funcionamento e dos mecanismos antes de tentar alguma operação.

O mercado de derivativos é vasto e possui uma grande variedade de produtos financeiros, cada um com sua complexidade e peculiaridade. Aqueles que o compreendem possuem a habilidade de trabalhar de forma extremamente versátil e ampla com seus investimentos, podendo atuar em vários ramos do mercado financeiro e se proteger contra perdas e maximizar os retornos. 

 

Fontes:

HULL, J. C. Opções, Futuros e outros Derivativos

SILVA, Lauro de Araújo Neto. Derivativos. Definições, Emprego e Risco.

http://br.advfn.com/educacional/opcoes/alavancagem

http://www.mundotrade.com.br/aprendizado/exemplo-opcoes

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