"> Entendendo Mercados Futuros

21 de Janeiro de 2017

Entendendo Mercados Futuros

Escrito por: Vitor Nascimento

O mercado financeiro é reconhecido mundialmente por operar com os mais variados produtos. São diversas as opções que de investimento encontradas: títulos de renda fixa, renda variável, mercado de ações na bolsa, mercado de derivativos etc. Com suas diferenças de natureza, rentabilidade e risco, os diferentes produtos do mercado financeiro atraem investidores das mais diversas características, desde os maiores players do mercado, que operam em investimentos com grandes riscos e lucros bilionários, até pequenos investidores que aplicam o dinheiro que pouparam em títulos seguros de renda fixa.

Dentre as opções de investimento ofertadas pelo mercado financeiro, o mercado de contratos derivativos se destaca pelo massivo montante de dinheiro que movimenta. Os derivativos são, como o próprio nome indica, contratos que estabelecem um pagamento cujo montante deriva do valor de outro ativo qualquer, seja ele o valor de ações de determinada empresa, de commodities ou até mesmo de variáveis econômicas como a taxa de juros de determinado país, taxas de câmbio ou índices de pregões da bolsa. Os contratos derivativos existem em diferentes formatos, sendo os principais tipos os contratos a termo, futuros, de opção ou swaps, cada um com suas peculiaridades que atraem diferentes tipos de investidores. Entre eles, o mercado de contratos futuros, apesar de movimentar centenas de bilhões de reais todos os dias, ainda levanta dúvidas em pequenos investidores e é quase que desconhecido pela população em geral.

A natureza dos contratos futuros é simples: duas partes acordam a venda de determinada mercadoria por um preço estipulado em um período futuro. Ocorrendo variações no preço da mercadoria durante o período do contrato, a parte vendedora é remunerada caso haja desvalorização em relação ao preço estipulado no contrato e a parte compradora é remunerada caso o preço se valorize.

Porém, diferentemente dos contratos a termo onde a remuneração só ocorre efetivamente em sua data de vencimento, nos contratos futuros ela é diária. Ou seja, a variação do preço ofertado pelo mercado do ativo atrelado ao contrato futuro resulta em lucros ou prejuízos constantes para ambas as partes acordadas. Desta forma, o mercado de futuros pode funcionar como uma forma de proteção a riscos maiores.

Consideremos um exemplo para facilitar a demonstração: suponha que o investidor A possua uma fazenda que é capaz de produzir 1.000.000 de sacas de milho em um ano e tenha um custo operacional de R$40.000.000 para ser mantida durante a produção. Em um cenário em que a saca de milho estivesse sendo negociada a R$50,00, o investidor A conseguiria um lucro de R$10.000.000 com sua colheita. Contudo, suponhamos que a saca de milho tenha um preço historicamente instável no mercado e o investidor A desejasse se proteger de uma possível desvalorização do preço durante o período de um ano até efetivamente realizar a colheita. Ele pode fazer isso realizando uma operação de mercados futuros conhecida como hedge.

Optando por realizar uma operação de hedge nos mercados futuros para proteger-se do risco, o investidor A venderia para o investidor B 1.000.000 de sacas de milho no prazo futuro de um ano por R$50,00 a saca. Caso ocorra uma desvalorização no preço para R$30,00, o investidor A teria um prejuízo de R$10.000.000 na venda de sua colheita. Contudo, receberia remunerações no valor de R$20.000.000 (R$50,00 – R$30,00 x 1.000.000 de sacas) devido à variação do preço em relação ao acordado no contrato futuro, e dessa forma voltaria para seu lucro original mesmo com a desvalorização. Porém, caso ocorra uma valorização no preço da saca de milho para R$80,00, o lucro do investidor A que seria de R$40.000.000, sofre uma redução devido ao prejuízo na operação em mercados futuros de R$30.000.000 (R$50,00 – R$80,00 x 1.000.000 de sacas), retornando então ao seu valor original de R$10.000.000. Pode-se notar que o investidor A “vendeu” o risco de sua fazenda em troca de abrir mão de possíveis lucros maiores.

Por outro lado, o investidor B, que realizou a compra das 1.000.000 de sacas de milho em contratos futuros fixados a R$50,00 recebe a remuneração de R$30.000.000 caso ocorra a valorização do preço da saca de milho para R$80,00, porém no cenário onde ocorre desvalorização para R$30,00, o investidor B arca com o prejuízo de R$20.000.000. No mercado financeiro seria comum dizer que o investidor B “comprou” o risco da fazenda do investidor A via mercados futuros. Desta maneira, é possível destacar como o mercado de contratos futuros possui uma interessante versatilidade: pode funcionar tanto para proteção de riscos (no exemplo dado, o investidor A) quanto para a busca de grandes lucros (investidor B). Versatilidade essa que contribui para a magnitude dos mercados futuros, que movimenta no Brasil um montante de dinheiro 10 vezes maior que o mercado de ações listadas na bolsa de valores, mas ainda é apenas uma parcela dentro do grande e complexo sistema do mercado financeiro.

Fontes:

Derivativos no Brasil - Fundamentos e Práticas (Ernesto Lozardo)

Introdução aos Mercados Futuros e de Opções (John Hull)

http://www.tororadar.com.br/blog/Como-funciona-o-mercado-futuro

http://www.portaldoinvestidor.gov.br/menu/Menu_Investidor/derivativos/mercado_futuro.html

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